(blumi)mia my obsession
― Abram o livro na página 57 ― Disse a professora de português. E assim fez os alunos.
― Hoje iremos ler um texto sobre anorexia e bulimia, quem se disponibiliza a ler? ― Perguntou.
― Eu, professora! ― Kelsey levantou a mão. Kelsey era uma menina um pouco gordinha, baixa, de lindos e longos cabelos encaracolados e olhos brilhantes castanhos. Ela amava ler e não sentia vergonha com o público, então não sentiria vergonha de seus colegas de sala em ler um texto do seu livro didático.
― Ok Kelsey, então comece.
― "Nos últimos anos, polêmicas envolvendo adolescentes com distúrbios alimentares trouxeram à tona a questão do exagero para se ter um corpo perfeito. O problema mais alarmante, no entanto, não é a doença em si, mas a apologia feita em torno dela. No Orkut e em diversos blogs, não são raras as campanhas de adolescentes prós ANA e MIA (apelidos carinhosos para anorexia e bulimia, respectivamente), com parabenizações às pessoas que perderam ainda mais peso. No mundo anônimo e virtual, jovens encontram com quem dividir suas dúvidas, trocar dicas de como emagrecer mais rápido e até mesmo de como esconder seu problema dos pais..." ― Enquanto lia, Kelsey prestava atenção nas figuras que estavam do lado de seu livro. Eram de meninas extremamente magras, com os ossos totalmente de fora, como se fossem esqueletos ambulantes. Apesar de serem, socialmente, estranhas, Kelsey sentiu uma ponta de inveja.
― Kelsey, pode parar por ai, depois nós continuamos, logo vai bater o sinal do intervalo e... ― Sem ao menos esperar o resto da frase da professora, o sino bateu e todos os alunos começaram a sair, sem ao menos darem ouvidos a ela. Mas menos Kelsey, ela ficara intrigada com os esqueletos femininos de seu livro. Encantada com a magreza de cada uma delas.
― HEY! ― disse Brit, batendo com uma mão com força tirando Kelsey de seu transe. ― Não vai descer?
― Ah, na verdade não, sabe, estou cansada... ― Explicou Kelsey.
― Ok então, eu vou lá ta? Não aguento ficar nem um minuto aqui! ― Falou Brit saindo da sala.
Kelsey estava sozinha na sala de aula, começou a olhar para as paredes, o teto, as carteiras de seus colegas, mas sempre os seus olhos se viravam para as fotos das magricelas. "Uau, são tão magras.. deve ser legal ser assim" pensava.
Então resolveu retomar a leitura, e leu tudo, apreciando cada palavra como uma aprendizagem preciosa. Até que viu uma menina, um vulto talvez, perto dela. Ela estava sozinha na sala, então ficou com um pouco de medo, mas logo em seguida o sinal tocou e os alunos voltaram para as suas salas.
Faltavam três aulas para acabar o dia, mas a cabeça de Kelsey só girava em pensamentos do tipo: "Será que eu poderia ser magra assim?","Será que é difícil?" Entre outros.
No fim da aula, Kelsey foi direto para a casa sem nem ao menos dizer tchau para as pessoas. Chegando a sua casa, foi direto ao banheiro, aonde havia um grande espelho. Começou a se ver, e ver seus defeitos.
― Cara, que pernas enormes... Que braços gordos... Olha só essa barriga! ― Falava para si mesma. Depois da sua analise, começou a procurar dietas na internet, achou varias, e foi imprimindo uma a uma, vendo qual seria a melhor, qual iria fazê-la perder peso mais rápido... Até que encontrou um blog com uma dieta, que se chamava "Em busca da perfeição", então ela acessou. Ela começou a ler os posts da menina, mas um a chocou muito, ela falava o seguinte:
"Oi lindas, como vocês estão? Faz tempo que eu não posto. E estou cheia de novidades! (não que sejam boas :/)
Consegui fazer nf, varios lfs, varias compulsões. Progredi na mia, e isso fez minha vida um inferno constante. Hoje nem da pra contar tudo detalhado, só vim aqui pra falar da maior merda que aconteceu.
Minha mãe descobriu tudo, laxantes, vômitos e afins, e adivinha? Vou pra uma psicóloga!
Até parece que uma cretina irá conseguir me ajudar a emagrecer, MIL VEZES A MIA!
Beijos pra vocês lindas, se cuidem, SAUDADES IMEEENSAS!"
― Nf? Lf? O que é isso?! ― Perguntou a si mesma. Então deixou um comentário no blog com as suas duvidas, e deixou sei MSN para contato. Apenas dez minutos depois, a menina a adicionou e ela a aceitou.
Lovely mia: Oi, você queria saber o que são nfs e lfs né? :)
Kelsey: É sim... O que é?
Lovely mia: Bom, nf vem de no food. É quando a pessoa fica sem comer alguns dias. E lf vem de low food. Quando a pessoa faz um lf, ela determina uma quantidade baixa de calorias que ela ira comer por um dia ou mais dias e só come alimentos de baixa caloria.
Kelsey: Ah, entendi! E é difícil ficar sem comer?
Lovely mia: Depende da pessoa, eu não conseguia, agora consigo...
E assim a conversa foi surgindo e fluindo, todas as duvidas de kelsey estavam tiradas. Já sabia como lf, nf, vomitar, tomar laxantes, qual marca era a melhor e outras coisas.
Ela saiu do computador e foi se deitar e ficou pensando em tudo aquilo "Será que é loucura? Quer dizer... Elas são magras!" pensava.
Sua mãe bateu na porta e perguntou se ela gostaria de jantar, mas ela respondeu não, mesmo com fome, decidiu resistir. "Se vamos fazer isso, é melhor começar, certo?" disse para si mesma.
Ela dormiu em um sono profundo, e teve um sonho um tanto estranho. Uma menina, magra, com cabelos loiros e olhos azuis a observava, sorrindo para ela. Então ela virou e tinha um espelho enorme, que refletia uma menina gorda, muito gorda. Então ela percebeu que era ela mesma. Com medo, ela virou o rosto para a menina loira, e a abraçou. A menina dizia "Tudo irá ficar bem, se acalme, para tudo se da um jeitinho". Kelsey acordou assustada com o despertador. Tentou entender o significado daquilo tudo, mas não entendeu muito bem.
Se aprontou e foi pro colégio, nem ao menos tocou no seu café da manhã. Chegando no colégio, ela começou a sentir fome, mas tentou abstrair, conversando com os seus amigos, mas na hora do recreio, aquilo já era insuportável, então ela decidiu comer 1 misto. Enquanto comia o misto, ela viu uma menina apoiada na parede, perto da porta do banheiro, com um olhar de reprovação. A menina era idêntica a de seu sonho, então ela começou a olhar fixamente, com pavor. Fechou os olhos e balançou a cabeça, pensando "WTF?". Quando abriu os olhos, a menina não estava mais lá.
― Ei ― Cutucou Brit ― Você vai hoje ao jogo dos meninos? Eles pediram para nós darmos força pra eles...
― Aé, tem o jogo... Eu vou então, me da carona ta? ― Brit era mais velha que Kelsey, tinha 16 anos, e já tinha carta de motorista. ― Ok! Passo lá às 8h.
No fim da aula, kelsey, indo para sua casa, viu uma farmácia e parou. Começou a olhar as coisas a procura de laxantes. Começou a ver varias marcas, e, com cuidado, olhava em volta, imagine se alguém a visse comprando laxantes? Iriam pensar o que?
Depois de muito enrolar, ela pegou o laxante e foi ate o caixa para pagar. Ficou envergonhada, porque imagine o que o caixa iria pensar dela?
Ela pegou o laxante, enfiou em sua bolsa, e foi para casa. Lá, entrou voando para seu quarto a procura de um lugar perfeito para esconder o purgador. Então ela enfiou dentro de uma meia e colocou dentro de uma gaveta cheia de pijamas. Depois, ela entrou na internet e entrou no msn e uma plaquinha subiu "lovely mia acaba de entrar".
Kelsey: Ooi :D
Lovely mia: Oi! Como você ta?
Kelsey: To bem. E você?
Lovely mia: To bem também!
Kelsey: Uhn, hoje eu tentei fazer nf, mas no colégio eu fiquei com fome e comi um misto.
Lovely mia: OMG, você sabe quantas calorias tem um misto? Quase 400!
Kelsey: Eu imaginei que tivesse muitas calorias, então decidi comprar um laxante, mas não sei muito bem quantos tomar.
Lovely mia: Uhn, fez bem! Bom, como você nunca tomou, acha que uns três resolverão o seu problema. Mas veja se não tome toda hora. Eu tomava quase todos os dias e depois o laxante não fazia mais efeito em mim.
Kelsey: Ah, tudo bem. Vou tentar me controlar na próxima vez.
Lovely mia: Tudo bem haha, você vai fazer um blog?
Kelsey: Bom, eu não sei..
Lovely mia: Olha, é bom sabe? Você faz novas amizades, organizar suas ideias, desabafar..
Kelsey:: Ah, então eu vou fazer!
Lovely mia: Depois me passa o link! E vê se não esquece, use um nome fake, ninguém pode saber que você é você, ta?
Kelsey: Tudo bem :)
Então Kelsey acessou o site ‘blogger’, que era o provedor do mesmo blog de sua amiga mia. Então começou a pensar em um nome e um nome para o blog. "Irá se chamar - I'll be thin", Agora só falta o seu nome. Começou a pesquisar em um nome legal, e veio na sua cabeça a palavra "Liar" (mentiroso). "Eu vou ter que mentir mesmo... Então será Liar." E assim criou o seu blog. Passou o link para a sua amiga e ela começou a dar dicas de pessoas legais, como deixar o blog bonitinho e etc. "Coloca bastantes fotos de thinspos, isso da inspiração para você e as outras pessoas." Assim ela foi fazendo, até seu blog ficar pronto. Depois ela começou a escrever o seu primeiro post...
“14 de abril de 2008 - 12h20minHey, meu nome é Liar (nome falso) e eu decidi que quero ser magra. Mas não magra que nem você vê por ai, eu quero ser um esqueletinho. Eu sei que dietas não me farão ficarem assim, muito menos apenas exercícios, então decidi regressar na mia. É apenas uma experiência, vamos dizer assim, e caso eu não goste, eu irei parar. Eu sei que será difícil, mas um pouco de esforço não faz mal a ninguém, certo? Beijinhos!”
Logo em seguida, ela começou a olhar os blogs dos amigos de Lovely, e comentar. Eram histórias muito tristes, das mais diversas situações. Lá existia Pró Anas, Mias, Anamia e diversos tipos de pessoas com T.A. (transtorno alimentar). Como a sua amiga disse, seria bom ela ter um blog, porque ela podia se inspirar em ser magra e compartilhar os mesmo problemas com pessoas que não irão brigar com ela por estar fazendo tal burrada, porque no fundo ela sabia que era uma burrada, mas não queria dar voz à razão. Assim ela começou a fazer novos amigos, todos com os problemas iguais aos dela. Era uma terra mágica aquilo tudo pra ela, era perfeito.
Assim as semanas foram passando e cada dia mais ela suportava a fome. Quando ela sentia fome, apenas pensava em uma frase que uma amiga Ana dela havia dito "Apenas cultive borboletas em seu estômago".
Mas não era sempre que ela suportava a dor da fome, e quebrava o seu nf com comidas, das mais gordurosas possíveis (de bolachas até botes inteiros de brigadeiro) e claro, depois de tudo, vomitava. Mas cada dia, isso foi ficando mais aparente, cada vez mais tinha vontade de comer cada vez mais a comida não saciava, e cada vez mais ela vomitava. Uma de suas amigas aconselhou a ela para não vomitar, porque estragava os dentes e poderia causar uma gastrite, mas isso já não era mais possível de ser realizado, porque quando se sentia culpada, era a privada que ela ia recorrer, e depois, os laxantes para tirar os últimos resíduos de comida de seu estomago, para deixá-la "limpinha", como diziam seus amigos virtuais. Tudo isso foi corroendo a alma dela, já não ligava mais pra ninguém, só para ela e sua obsessão por ser magra. No colégio, ela havia se afastado das suas amigas, de todos. Apenas falava com Brit, mas não contara nada sobre o que estava fazendo, porque ela sabia que Brit iria surtar. Apenas falava que estava passando por problemas em casa, problemas familiares. Caso alguém perguntasse, ela apenas falava "Não quero falar sobre isso..." porque não sabia muito bem inventar historias, e não era necessário.
Depois de um dia no colégio, ao chegar ao seu prédio, ela passou no playground, não havia ninguém lá. O tempo estava nublado, concerteza iria chover naquela tarde. Então ela se sentou em um balanço e começou a olhar para o chão, até perceber a presença de alguém. Ela levantou a cabeça e, do lado do escorregador, havia uma menina sentada olhando para ela sorrindo. Ela tinha a impressão de ter visto aquela menina em algum lugar. A menina se levantou e foi até ela, ela andava como uma bailarina.
― Oi, qual é o seu nome? ― Perguntou a menina.
― Kelsey ― E deu um sorriso amargo ― E o seu?
― Maria Antonia. Mas alguns me chamam de Mia ou Ana, então pode me chamar de qualquer um desses.
― Vou te chamar de mia, me lembra uma pessoa que eu gosto muito ― Disse Kelsey. Ela estava pensando na sua querida bulimia, ou mia, como preferir.
― Eu imaginei que você fosse escolher esse. ― Disse Mia, olhando para ela com um sorriso meio vago.
― Como assim? ― Perguntou Kelsey.
― Ah, esquece... Deixa pra lá.
― Ok... ahn, você é nova no prédio? ― Perguntou Kelsey reparando na magreza da menina. Era como uma das meninas que ela considerava thinspos (meninas magras para inspiração de mias e anas)
― É, tecnicamente. Estou aqui para ajudar uma amiga minha que esta precisando de minha ajuda, talvez fique aqui por um pequeno tempo, ou talvez um longo tempo... ― Disse ela, olhando Kelsey friamente.
― Ah, entendi. Uhn, eu não te conheço de algum lugar? ― Perguntou Kelsey forçando sua mente a se lembrar aonde vira aquela menina.
― Talvez, mas acho bastante difícil. Ahn, você estuda no Colégio St. Johns?
― Estudo, por quê? Irá estudar lá?
― Provavelmente. Espero que eu caia na sua sala. ― Disse ela mexendo em seus cabelos loiros.
― É... Irá ser legal... Mia, ahn, eu tenho que ir, depois conversamos ok? Em que apartamento você esta?
― Ah, tudo bem... Não, ahn, em que apartamento VOCÊ está? ― Perguntou Mia.
― No 31, qualquer coisa é só ir lá ok? To indo.
Kelsey pegou suas coisas e saiu, ela percebeu que os olhos de Mia estavam fixos em suas costas, mas não quis se virar.
Ela achou tudo aquilo muito estranho, quer dizer, os apelidos da menina são o apelido das doenças que ela amava?
Ela entrou em seu apartamento e tomou um copo de água gelada, ela havia lido que água gelada emagrecia. Depois foi atualizar o blog e dormiu um pouco. Quando se deitou na cama, se lembrou aonde vira a menina. Foi no seu sonho e naquele dia no colégio. "Não é possível, deve ser alguém parecido, sei lá..."
Kelsey caiu em um sono pesado, profundo. Quando acordou, se deparou com alguém sentada na sua cadeira do computador, era Mia.
― O... O que você esta fazendo aqui? ― Perguntou Kelsey, confusa.
― Vim te dar uma forcinha. Ande, se vista, você tem aula hoje. Estou te esperando na sala ― Disse Mia se levantando, ajeitando sua roupa, com um sorriso malicioso.
Kelsey não estava entendendo nada. Ainda um pouco atordoada, se arrumou e foi para a sala. A sala e a cozinha eram separadas por uma bancada, e lá estava Ana, com um copo contendo uma água, um pouco verde.
― Tome, irá te fazer bem ― Disse Mia entregando o copo.
― O que é isso? ― Perguntou Kelsey, horrorizada ― Não vou tomar nada disso!
― Toma... É sério, vai te fazer bem. Você não quer ser como eu? ― Disse Mia, mostrando o seu corpo magrelo.
― Que... Quem é você? Ou o que? ― Perguntou Kelsey, ainda horrorizada.
― Oh querida, você queria ser tanto ser magra que recorreu a mim, e cá estou... Não era isso que você queria? ― Disse Mia, falando com uma simplicidade atrozM
― Isso é loucura...
― É claro que não! Só estou aqui para te dar uma força. Sabe Kelsey, a partir de agora, eu sou sua única amiga. Você sabia que todos odeiam você? Uhn... Acho que não. Pois fique sabendo, você é gorda! As pessoas não gostam de pessoas gordas!
― Minha mãe pelo menos...
Kelsey começou a secar suas lágrimas e se recompor.
― Eu ainda estou confusa...
― Não há porque ficar confusa! Estou aqui apenas para fazer de você uma princesa. Quando você estiver perfeita, irei fazer as minhas malas e ir, fácil assim! ― Disse Mia, com um sorriso malicioso. ― Agora vamos, não vá se atrasar no colégio. Vou ir contigo, porque no caminho, do jeito que esta gorda, irá querer comer algo na rua.
― Seu nome não é Maria Antonia, né? ― Perguntou Kelsey, abrindo a porta de casa.
― Não e sim. Uso o nome Maria Antonia porque cabem os dois apelidos, Mia e Ana, e é assim que, vocês, me chamam.
― Então você é a Mia e Ana, juntas?
― Tecnicamente sim. ― Já no térreo, Mia puxou o braço de Kelsey.
― Só há uma regra. Você não deve contar sobre mim para ninguém, nem falar comigo na presença de outras pessoas. Se não elas vão querer me destruir, e não é isso que você quer, certo?
― Não, não. Entendi o recado. ― Disse Kelsey, se soltando.
― Mas saiba, que eu sempre estarei olhando você, sempre te observando para que você não saia da sua meta.
― Ok.
Então as duas saíram do prédio. O incrível era que ninguém podia ver a Mia. Todos que passavam cumprimentavam Kelsey, mas nem sabiam da existência de Mia. Conforme o caminho ao colégio prosseguia, as duas passavam por maravilhosas lojas de doces, salgados e mercadinhos, mas Mia fazia questão de fazer cara de reprovação a qualquer olhada esfomeada de Kelsey.
No colégio, ela apenas apareceu no recreio. Ela ficava olhando a menina, só observando se ela não iria cometer algum erro. E por fim, não cometeu. Ao fim do recreio, Kelsey passou por Mia e ela sussurrou em seu ouvido um "Muito bem, menina". Isso invadiu a alma de Kelsey de felicidade, finalmente estava conseguindo lidar com sua alimentação.
mia e kelsey, ao passar dos dias, foram se tornando melhores amigas. mesmo, de qualquer forma, obrigaçao da sua doença: amar a (buli)mia acima de qualquer coisa. agora mia se dividia em duas, era ana e mia, como se fosse uma mãe e pai juntos. kelsey sofria, sofria muito, mas sempre a mia estava ali. ela segurava os seus cabelos quando kelsey se debruçava no vaso sanitario para enfiar os seus dedos ou uma escova de dentes na sua guela, para ficar "limpa". a ajudava a medir quantos laxantes era necessario tomar depois de tudo que comia em suas compulsões, e quando eles faziam efeito, ela a ajudava ver o lado positivo das coisas, como "pense: você vai ficar limpa de toda aquela gordura nojenta". kelsey perdia noites de sono, olheiras se formaram em baixo de seus olhos. já não tinha amigos no colégio.. para que? mia era sua única amiga de verdade! a bulimia estava destruindo a vida de kelsey, ela achava que ela era sua amiga, mas ela era pior que a propria morte. morrer aos poucos.. sim, era oque estava contecendo com kelsey. chorava todos os dias, já não era a mesma. sua mãe não sabia oque fazer, não sabia o motivo daquilo. talvez não tivesse prestado atençao, não tivesse sentido a presença da mia ali.. mas iria descobrir.
em uma tarde, kelsey havia se empanturrado de tudo que podia comer, tudo oque estava ao seu alcance ela comia, e depois, claro iria começar o seu ritual de limpeza. mas um imprevisto aconteceu, sua mãe havia chegado cedo em casa, coisa que era impossivel de se acontecer, já que a sua mãe trabalhava muito. com a porta entre-aberta, kelsey vomitava tudo, e mia falava, com sua voz doce: isso, continue, limpe-se, vamos sua vaca gorda!
sua mãe escutou os barulhos vindo do banheiro e logo foi ver.. e não gostou do que viu.
oh sua querida filha, aquela filha prodigio, aquela que lhe traria orgulho, fazendo uma idiotice intoleravel.
- é por isso que você esta emagrecendo? É POR ISSO? - gritou
- m-mãe? - gaguejou kelsey - oque você esta fazendo aqui? - e limpou a boca com o seu braço
- manda ela ir embora kelsey, mande logo! ela esta nos atrapalhando.. - disse mia, com raiva - ANDE, ESTA ESPERANDO OQUE?
- eu não acredito nisso, levante dai agora kelsey! - ordenou sua mãe
- SAI DAQUI, MÃE, ME DEIXA - kelsey se levantou, fexando a porta na cara de sua mãe, e voltou, chorando, para o seu lugar, e continuou seu trabalho. mia apenas sorriu, passando a mão na cabeça de kelsey como se ela fosse sua cadela.
depois de muito esforço, kelsey conseguiu arrancar quase tudo de seu corpo. se sentou do lado da privada e deu discarga. começou a se olhar, com ódio, e começou a chorar.
- oh querida, não fique assim.. - começou mia - pegue isto e se corte, ira tirar sua dor com sangue, acredite. - e entregou uma tesoura para kelsey. kelsey, ao segurar a tesoura, começou a analisa-la, ergueu suas mangas e analisou o seu braço. fexou seus olhos e atracou a tesoura em seu pulso. uma gota gorda de sangue saiu, e dpeois outras vieram atras. mia a olhava, com desejo. parecia que amava ver o sangue cheio de dor de kelsey escorrer.. parecia ver sua ''querida aluna" sofrendo.
- kelsey sentia muita dor, mas sue coração doia mais. agora sua mãe sabe de seu segredo. e agora, qoue iria fazer?
depois de muito sangue correr, ela pegou um pedaço de papel e estacou o sangue, segurando firme. batia sua cabeça na parede, e chorava, chorava muito.
- sou uma burra.. uma cretina.. uma.. uma.. GORDA
- eu sei querida.. sabemos de tudo isso. - falou mia olhando para o rosto de kelsey
- mas como eu iria imaginar que ela chegaria cedo? ela nunca chega!
- bom, isso não interessa... mas você sabe que agora ela vai tentar me expulsar daqui, não é?
- sei..
- e você não vai deixar, porque eu sou a unica que a amo de verdade.
kelsey ficou em silencio. não sabia se aquilo que a mia tinha por ela era amor, mas sabia que oque sentia pela mia era obsessao. sem ela, kelsey nao vivia. mas com, sabia que podia morrer, não que estivesse ligando no momento, mas um dia ela iria ligar..
- kelsey saiu do banheiro, com um curativo quen havia feito no braço. abaixou as mangas de sua blusa, e foi direto para o seu quarto. entrou lá e se feixou. depois foi revirar em sua gaveta, os seus laxantes, e tomou 4, sem agua.
- se sente melhor? - perguntou mia
- um pouco - respondeu com cabeça baixa
- pense no lado bom.. agora você não ira sair do quarto por muito tempo, então njão ira comer. veja como isso é bom!
- é.. muito bom. - kelsey levantou a cabeça e olhou para um porta retrato que havia do lado de sua cama, era ela e de seu pai. seu pai havia morrido há 2 anos atrás, e ela sentia muita falta dele. eles eram unha e carne, era tudo para ela. depois que ele morreu, sua mãe só pensava em trabalhar, para tentar esquecer o incidente. o seu pai havia morrido assasinado por um ladrão, que na hora de assaltar um banco, o tomou como vitima. e no desespero, estourou os miolos de eu querido pai.
- ele deve estar orgulhosa de voce.. - disse mia
- porque? eu sou uma gorda!
- sim, você é uma orca! mas esta se esforçando para ser magra.
- eu não sei bem..
- oque?
- sabe, mia - começou kelsey - eu não aguento mais isso. não quero mais fazer essas coisas..
- OQUE? você não quer ser magra sua orca? - gritou mia com os olhos enormes de raiva
- quero.. mas não sofrendo. quem sabe dietas normais resolvam.. - disse kelsey, baixo
- não, não mesmo! você acha que vai viver longe de mim sua cretina obesa? - disse mia com raiva - sua baleia, você nunca vai conseguir viver sme mim mais, você é minha para sempre! veja os fatos.. só comigo você atingira a perfeição.
- mas fizemos o trato de quando eu ser magra você ir embora, não foi? - kelsey falou com medo.
- - sim, fizemos, mas do jeito que vai, vai demorar MUITO! em vez de falar tantas besteiras, porque não faz um abdominais? vamos, não há tempo a perder! você vai ter que fazer 100 por ter falado aquilo. agora ira aprender a me respeitar, sua nojenta. - disse mia, ja mais calma, mas com maldade. kelsey, sem falar um "A" fez exatamente que mia pediu, sem discutir. sabia que iria ser pior.
- isso, contraia mais, vamos! 30, 31, 32... - falava mia enquanto kelsey se matava nos abdominais.
depois de terminar, muito cansad,a foi dormir. enquanto mia a observava, a mãe de kelsey entrou no quarto de sua filha e a olhando dormir, começou a chorar.
- oque eu fiz de errado? - sussurava.
mia a olhava, e dava gargalhadas. oh pobre mãe, não sabia oque sua filha esperava. como um espirito maligno, se possuiu do corpo de sua filha. agora sua filha pertencia a ela, a bulimia. a mãe chorava, desesperada. saiu do quarto e foi para sala. mia, curiosa, foi atras dela.
ela estava no bar, perto da sala, e colocou em um copo um pouco de vodka. tomou um gole e fexou os olhos. depois pegou a garrafa enteira, deixando o copo de lado, e bebeu no gargalo. mia sorria, ela estava conseguindo oque queria afinal, destruir a vida daquela familia feliz com aquela doença infeliz. ela se sentou em uma das poltronas e a observava a mãe se acabando em uma garrafa de vodka.
depois, ela foi se deitar e mia voltou para o quarto de sua menina. sim, agora era sua menina, de mais ninguém.
- quando kelsey abriu os olhos, o sol refletia no seu quarto inteiro. era uma linda manhã de sol, ainda por cima, era sabádo! o dia que kelsey tinha livre para se exercitar. mia estava sentada no chão, a observando.
- dormistes como uma pedra ontem, sabia?
- que horas são? - perguntou kelsey, um pouco atordoada, coçando os olhos
- uhn.. 10:05 - disse mia, vendo as horas no celular de kelsey que estava do lado dela.
a porta estava entre aberta, e dava para ouvir sua mãe conversando com alguém no telefone.
- ahn.. interessante. e como funciona essa consulta?.. - dizia a mãe de kelsey ao telefone. kelsey levantou da cama com um susto, "não!", pensara. foi para a porta e espionou sua mãe. ela estava andando de um lado para o outro, na sala.
- e a psiquiatra vai dar coquiteis de remedios a minha filha?.. oh, só vendo indo a uma consulta? ... ah, entendi. - dizia a mãe dela, agora anotando tudo em um papel.
- AI, FALA SÉRIO. NÃO, NÃO, NÃO! - dizia kelsey, indo se deitar na cama. - psiquiatra?! eu, por um acaso, sou louca? - perguntou para mia
- não.. oh queria, isso ja era de se esperar!
- mas OQUE? psiquiatra.. remedios? só pode ser loucura..
- oh kelsey, sua ingenua, eu te disse. ela vai tentar me expulsar. mas deixe isso para lá, andei pensando a noite, e acho que já esta na hora de você experimentar uma coisa.
- ahn? - disse kelsey, coçando a cabeça.
- eu não queria lhe mostrar antes, mas acho que você esta forte agora. sabe, isso vai te ajudar muito em relaçao a fome. se vista! ande! - disse mia se levantando. - e leve dinheiro, pelo menos 20 reais.
kelsey se vestiu e esperou sua mãe sair. então ela saiu com a mia.
- só escuta, não fale nada. bom, concerteza você vai recusar, mas claro que você ai usar, deixando você sem fome, tudo vale! enfim, eu sei que sua mãe sempre te disse para não usar essas coisas, já que fariam você virar uma ninguém, mas te fara magra. e todos magros são alguém na vida, diferente de voces, obesos. vire a direita agora..
- kelsey estava curiosa com oque era, entao sussurou
- mas que diabos seria isso?
- shiu, fique quieta! vão pensar que você é louca! bom, esta vendo aqueles caras ali, parados, de preto? - disse mia, apontando para alguns sujeitos mal encarados. - pessa a eles um saquinho de pó, custara uns 5 reais.
- você esta louca? - disse kelsey, um pouco alto. uma moça parou e olhou para ela.
- ta vendo? mandei você calar a boca.. vai logo para irmos embora! - mia a empurrou e ela foi, um pouco com medo, claro. nunca tinha falado com essa tipo de gente.
- oi.. - disse kelsey, um tanto reprimida - eu quero um -s-saco de pó.
- se tu levar 3, tu paga 2. chefe libero promoçao, princesinha. - disse o sujeito, dando uma risada maliciosa.
- não, apenas um. - diss ekelsey, olhando para o chao, e olhando para os lados. parecia que todos sabiam oque ela estava fazendo.
- firmeza então.. - e entregou o saco de cocaina nas suas mãos miudas - 6 mango princesa. - disse o homem.
kelsey entregou o dinheiro e atravessou a rua, com a maior pressa, com o saco de droga nas mãos.
- mordeu? agora vamos a um parquinho abandonado, lá tem o lugar perfeito para este tipo de coisa! - disse mia, animada.
kelsey estava com medo de verdade agora. além de fazer ela se cortar, vomitar e não comer, iria fazer ela se drogar? pensou se ela não estaria indo longe demais, mas de certo caso, ela sabia oque estava fazendo.
chegando no lugar, que ja fora um parquinho infantil, era como se uma 3ª guerra mundial tivesse acontecido ali. tudo eferrujado, quebrado..
- vem, vamos por baixo deste escorregador. - e mia adentrou, kelsey foi atras.
- bom, vou te explicar agora. cocaina tira a fome, se você não sabe. você fica sem fome uns 4 dias com umas 3 cheiradinhas desse pozinho. sem sofrimento, sem dor.
- você não esta indo longe.. demais, mia? - pergutou kelsey, com um tanto de nojo
- nem vou responder.. você sabe que é forte! esta com medo?
- não, não é isso... mas drogas?
- - sim! drogas! te fazem ser mais magra! melhor cheirar uma carreira do que ter banhas de sobra! você é forte, e não ira ficar ''viciada", só ira usar nas horas de fome!
- eu sei, mas...
- mas nada! - disse mia, tirando um espelinho de dentro de seu casaco - me empreste seu cartao de credito? - entao kelsey deu o cartao a ela - e a coca, por favor - e assim kelsey fez. mia pegou a coca, fez uma linha com o po branco.
- agora vamos. vou te mostrar como é - ela tapou um nariz e começou a cheirar com o outro. - vamos, sua vez! - e entregou o espelho com a droga para kelsey. ela estava muito assustada, mas estava mais assustada ainda de contrariar a mia. então o fez, cheirou aquele pó branco de uma vez. sentiu umas dores em sua cabeça, mas dpeois ficou um pouco "zen".
- ta tudo tão.. estranho. me sinto .. feliz! - disse kelsey depois de algum tempo.
- sim.. - afirmou mia, colocando o resto do pó dentro de um saquinho. - como esta?
- sei la.. meu coraçao ta acelerado.. ta tao irado... - disse kelsey um pouco mongoloide. elas ficaram 30 minutos ali, esperando o efeito passar.
na volta a casa de kelsey, não ouve um piu. mia percebeu o quanto a garota havia ficado constrangida de ter feito aquilo. não era de sua conduta. ma mia não ligava, ela queria deixar sua menina magra, só isso importava.
- isso não vai entrar em casa - disse kelsey, na esquina de sua casa.
- proque não iria? - pergutou mia
- minha mãe ira ver! não! - falou kelsey, com firmeza
- ok.. então vamos enterrar em algum lugar.
e assim fizeram. foram ao playground do predio de kelsey e enterraram a coca la, enrrolada em 3 sacos plasticos. claro, iria ser estranho alguem ver ela ali, cutucando no jardim de seu condominio. mas pelo menos ninguem iria saber que ela estava prestes a virar uma viciada em coca.
- chegando em seu andar, kelsey se depara com uma menina parada em frente a sua porta, era brit.
- hey.. - chamou kelsey enquanto saia do elevador, com os olhos vermelhos e uma cara inxada.
- oi! estou tocando aqui a horas! - respondeu brit, com um sorriso no rosto.
- ah, desculpa, tive que ...sair. mas vem ca, entra ai - disse kelsey, abrindo a porta. ela abriu e as duas entraram - coloca a bolsa ai no sofa e senta ai. - disse kelsey indo para a cozinha, pegar um copo d'agua.
- vou para o seu quarto, ok? - disse mia, saindo da sala seguindo para o quarto de kelsey. kelsey voltou para a sala com um copo de agua na mão e com um sorriso, um tanto falso. brit estava sentada no sofá, com um sorriso bobo na cara.
- e ai? coo você ta? - perguntou kelsey, se sentando no sofa do lado de brit.
- ah, to bem, e você? sumiu hein?
- to bem hehe, poisé, dei uma sumidinha - disse kelsey bebendo um gole de agua.
- poxa, sumidinha? você evaporou! por onde voce anda?
- ahn, as coisas aqui em casa não vão bem...
- ah, entendo. eu senti sua falta ontem, e como não consegui falar com você eu decidi, sabe, dar uma passadinha auqi pra ver se tava tudo ok. tenho tanta coisa pra contar!- e assim brit começou a contar tudo oque tinha acontecido na vida dela, mas uma coisa chocou kelsey:
- ela estava namorando com adam. não que ela se encomode, nada disso, mas é que ela nunca namorou, e isso estava nos planos dela para este ano. enfim ela reparou quantas coisas ela havia deixado para tras para seguir a sua mestre mia. ela se sentiu mal e não conseguiu olhar mais para brit, muito menos ouvi-la. apenas estava pensando em tudo. nos seus planos, no seu futuro. hoje cheirou sua primeira droga, imagine daqui 3 meses? 1 ano? seria uma viciada bulimica? ou uma magrelinha como tanto deseja? começou a pensar se era mesmo oque ela queria, ser um esqueletinho ou se não seria um prazer unico de mia deixar sua menina magra. tudo isso invadiu a sua mente. só despertou desses pensamentos quando brit com um grito
- - HEY, TA ACORDADA? - gritou brit. ela acordou de seu transe e olhou ao redor. lá estava ela, brit na sala. mia estava observando elas, da porta do quarto para ver se ela cometia algum erro. era claro que mia queria brit fora da casa dela, fora da vida dela. é claro que a queria só para ela, era obvio. mas mesmo assim ainda não o fez, brit ainda nao era um perigo para aquela amizade. kelsey balançou a cabeça para acordar de vez.
- oh, desculpe brit. nao ando muito bem...
- cara, oque esta acontecendo? sabe, preferia a kelsey de antes. respeito os seus problemas e etc, mas não é só isso. as meninas do colégio ouviram você vomitar no banheiro... estou preocupada com você! - mia agora olhava brit com ódio. sim, agora ela era um problema.
- eu não posso dizer... é complicado. - disse kelsey. o medo no olhar da menina era obvio, o medo de contrariar a mia
- - sabe, você pode confiar em mim, não irei contar nada ninguém.
- não é isso.. eu sei que não ira, mas eu nao posso..
- kelsey, você é.. bulimica ou anorexica? tipo, não fique brava comigo, mas lembra daqueles textos que lemos na aula de portugues sobre essas doenças? você se encaixa nelas, sabe, o seu jeito de agora. você mudou do nada! não fala mais com ninguém, não diz nem oi para a gente.. se isolou! e as meninas viram você vomitando.. ai kelsey, não faça isso com sua vida, você viu oque acontece! - disse brit, segurando a mão de kelsey. a mia já estava brava, seus olhos se enxiam de fogo. e esses olhos estavam olhando para kelsey.
- eu sei, eu sei de tudo isso... mas eu não consigo me livrar. - disse kelsey, olhando para mia.
- então é verdade, você tem... bulimia? - perguntou brit, com um olhar calmante
- ... sim - respondeu kelsey. ela então chorou e abraçou brit. mia, quando viu aquela cena, voltou para o quarto, pisando firme. kelsey chorava muito, não conseguia se controlar.
- calma.. calma, eu estou aqui! - dizia brit, tentando acalma-la.
- eu.. eu não consigo mais controlar. virou um vicio maldito - dizia kelsey aos prantos
- - olha kelsey.. - dizia brit, a colocando em sua frente - para que isso? você é tão linda...
- mas eu queria ser magra, queria ser que nem aquelas meninas do livro.. - dizia kelsey, ainda com lagrimas escorrendo de seus olhos.
- todas querem ter o mesmo corpo, o mesmo cabelo, o mesmo jeito... porque ser igual? e dai que você era gordinha? - agora ela estava bem mais magra, como uma magra normal - hein? você é linda! é engraçada, inteligente, estrovertida.. enfim, não tinha o porque.
- eu sei.. mas na hora eu não pensei. essa doença infeliz se alojou em mim e não quer sair mais. esta me fazendo fazer coisas terriveis, coisas que eu nunca pretendi fazer em minha vida! - dizia kelsey
- mas você quer mudar? - perguntou brit
- quero.. quero muito, mas não é tão facil..
- eu sei que eu não sei como é ter isso, mas tente ter força de vontade. vamos passar por isto juntas ta bom? vou estar aqui com você para tudo. - disse brit, segurando a mão de kelsey. ela sorrio, um sorriso limpo e verdadeiro. lá ela viu quem realmente era sua amiga ali, quems e importava com ela, quem a amava. e não, definitivamente não era a mia.
elas passaram a tarde inteira juntas, ate que deu a hora de brit ir embora. quando ela foi embora, logo a mia saiu do quarto.
- oque foi aquilo? - disse ela séria - que palhaçada foi aquela?
kelsey não respondeu nada.
- - você.. você.. é tão.. imprestavel! depois de tudo oque eu fiz você se abre para a primeira pessoa que passa aqui. eu disse para manter tudo em segredo, eu te disse" agora sabe oque ela ira fazer? tentar me tirar de você. agora são duas tentando nos separar. e você vai deixar isso barato? você acha mesmo que ira conseguir viver sme mim?
- acho. - disse kelsey, com firmeza.
- o-oque? - perguntou mia, assustada com a valentia da menina
- sim, foi oque você ouviu. eu cansei de você. você esta me fazendo mal! você me faz fazer coisas horriveis.. ate me obrigou a me drogar!
- oh, me polpe! essas coisas que você tanto chama de horriveis ira te deixar magra!
- - sim, pode ate me deixar magra... - e com um grande suspiro, ela disse - mas não quero mais ser magra do seu geito.
aquilo foi como uma facada no coração de mia, se é que ela tinha um. o ódio a corroia. aquela... aquela... infeliz conseguiu fazer com que a sua futura magrela se virasse contra ela. como é que aquilo aconteceu em apenas uma tarde?
- você pode ate tentar, kelsey, sua engrata, mas não ira conseguir. eu estou no seu corpo para sempre, nunca irei sair. se morrer, irei junto, se viver, tambem. agora sou sua vida! não seja tola de tentar me desafiar. - disse mia, com um tom seco como se fosse os espiritos falando com kelsey. ela chegou a se arrepiar, mas não disse nada. depois de alguns segundos, o barulho de uma chave entrando na porta ecoa no ambiente, e a mãe de kelsey entra por ela. quando sua mãe ve a filha na sala, é obrigada a dizer um oi, claro, muito desanimado.
- - oi mãe.. e-eu preciso falar com você. - disse kelsey, decidida.
- tudo bem. - respondeu sua mãe. ela colocou a bolsa no sofá e foi ate o seu quarto, kelsey a seguiu. mia estava furiosa, boquiaberta. não acreditava que kelsey iria colocar tudo a perder por conta de um choque de realidade banal e hipocrita. sim, hipocrita, porque no fundo ela gosta de fazer essas coisas, e concerteza ira sentir falta. mas na falta, mia sempre ira estar lá, como ela diz, para sempre. mia seguiu mãe e filha e ficou de fora do quarto, apenas espiando. ela não quis entrar. mesmo que a mãe de kelsey não iria ve-la, ela preferiu ficar espiando. queria ver como kelsey iria se virar longe dela e oque ela sentia de verdade.
- bom mãe.. eu sei que ontem eu te magoei muito, muito mesmo.
- sim, magoou. como pode kelsey? você era tão estudada, não era uma mente fraca...
- pode ate ser.. mas me levei por esta doença - fazia questão de frimar a palavra "doença", pois sabia que mia estava escutando - e agora estou muito arrependida. quero sua ajuda, mãe. eu preciso de sua ajuda. não posso acabar com isso sozinha.
- ela segurou o choro, mas uma lagrima escorreu. tentou segurar as outras, ma snão conseguiu. era tanto sofrimento, tanta dor... todos escorreram ali, com sua mãe presente. a sua mãe a abraçou com força, tentando acalmar a sua filha. ela não sabia muito da doença, nem imaginava que a sua filha iria ter um dia. mas agora iria lutar contra ela, contra esta infeliz, para salvar sua filha.
do outro da porta, estava mia. ela começou a rir...
- elas acham mesmo que vão conseguir me deter? oh! elas não conseguem ver que o meu poder é enorme perante esta ingrata? - e ria mais.
kelsey saiu do quarto abraçada com sua mãe. elas decidiram sair para se divertir. fazia um pouco de tempoq ue não faziam isso, proque depois que o pai de kelsey morreu, a sua mãe havia mudado muito. já não era tão divertida... virou um tanto amarga. e o trabalho não ajudava, ela queria se esconder de seus problemas com o trabalho, e viu que não conseguiu, só atraiu mais problemas.
- elas sairam de casa deixando a mia só. kelsey nem ao menos olhou para a cara de sua "amiga", apenas saiu. na casa, sozinha, ela começou a pensar em seus planos, como iria agir, como iria retomar sua menina de volta para ela. ninguém iria toma-la tão depressa de suas mãos, ninguém poderia acabar com aquilo. nenhum remedio, nenhum tratamento... as duas, de uma certa forma, iriao ser amiga spara sempre. mesmo que se afastassem, de vez em quando. mia sabia disso, mas queria deixar isso gravado na memoria de kelsey, para ela nunca mais esquecer quem é que mandava ali, naquela vida, naquela família
- - ual, fazia tempo que não se divertiamos asism hein? - disse sua mãe, rindo, abrindo a porta.
- verdade mãe! senti tanta sua falta... - dizia kelsey, entrando em casa.
- eu também meu amor, mas isso acabou! - dizia sua mãe, rindo.
- oh, estou tão cansada... acho que vou me deitar.
- então vai la minha filha.. - dizia sua mãe, - boa noite meu anjo - e deu um beijo na testa dela.
kelsye foi para o seu quarto, e nem imaginava que a mia existia. mas quando chegou lá, se lembrou como uma bomba.
- se divertiu muito? - perguntou mia, sorrindo ironicamente.
- oh.. oi. - disse kelsey, nem um pouco ligando para a imagem que via em sua mente. - sim, coisa que eu não fazia a séculos!
- garanto que comeu muitas besteiras...
- sim! comi algodão doce, maça do amor, hot dog... e estou me sentindo ótima! - dizia kelsey, levantando os braços para cima com um sorriso lindo no rosto.
- oh, sério? tudo isso? - dizia mia, com o mesmo sorriso. - então eu acho que não iria se importar de comer isso... - então ela pegou uma bandeija cheia das coisas mais caloricas e gostosas que kelsey era proibida a ingerir. ia de chocolates até um pedaço de torta que sua menina amava. ela percebeu que os olhos de kelsey brilhavam, mas viu também, que logo em seguida ela recuou.
- - shut up! oque é isso? - perguntou kelsey.
- oras.. é para você! - dizia mia, com um sorriso, agora, simpatico.
- haha, ok... só pode ser brincadeira... - disse kelsey, indo para sua cama.
- não, é sério. sabe kelsey, resolvi me desculpar, tenho sido muito dura com você... percebo que fiz você fazer coisas contra a sua vontade. prometo sair da sua vida se você quiser.. acho que minha hora aqui acabou. mas em ultimo, quero que você prove esses docinhos. estão deliciosos! - dizia mia, servindo os doces. kelsey ficou desconfiada, mas sem falar mais nada, comeu um chocolate. depois outro, e outro... acabou comendo quase a bandeija inteira. mia não dizia nada, apenas sorria. quando kelsey terminou, ela olhou para mia com uma cara um pouco sofrida.
- oque foi minha menina? - perguntou mia, com "preocupação".
- me ajude... socorro! - dizia kelsey, olhando para si mesma.
- oque aconteceu! me oriente, kelsey! - dizia mia, fingindo estar assustada.
- olhe, olhe para isso.. - e mostrava a bandeija vazia - quantas calorias havia ali? 6 mil? meu deus... meu deus do céu... - dizia kelsey, desesperada, se rastejando para seus laxantes. - acho que 12 ira funcionar...
- mas querida, 12 não é demais? - perguntava mia, escondendo o seu sorriso de vitoriosa.
- não... pensando melhor... - ela deixou os 12 laxantes na escrivaninha e foi ate seu banheiro. lá, de seu quarto, mia escutava o doce som de sua menina fazendo força para que aquelas calorias saissem de dentro dela. depois de aproximadamente 10 minutos, ela voltou, secando a boca, com um copo de agua e tomou os laxantes.
- sim, agora vou ficar bem. - e foi se deitar. mia não disse nada, sabia que de manhã sua menina iria lhe pedir desculpas. sim, ela saiu vitoriosa, novamente.
as 4 da manhã, os laxantes começaram a bagunçar o estomago de kelsey e ela foi correndo ao seu banheiro. mia foi atraz.
- meu deus... esta doendo tanto! - dizia kelsey, com muita dor provocada por conta dos laxantes.
- calma, eu estou aqui. - dizia mia, apertando sua mão com força.
- desculpe por tudo de hoje... me desculpe mesmo. não sei se estou pronta para deixar você. - dizia kelsey, olhando para sua mão junto com a de mia.
- relaxe querida, agora não é hora para se desculpar.
assim se pasosu 2 horas. 2 horas de sofrimento no vaso sanitario... oque não se faz para ser magra?
- elsey voltou para a sua cama e não disse nada, mia também não falou absolutamente. percebeu que sua menina estava cansada, e não queria deixa-la mais cansada ainda, além do que, amanhã seria um dia um tanto puxado, não só para kelsey, mas para mia também. reconquistar a confiança que lhe fora tirada não seria facil.
ela ficou observando kelsey dormir, como fazia todas as noites. quando ela caiu no sono, mia foi ate o quarto da mãe dela, para observar a grande perdedora, poder casoar talvez de sua derrota.
- tentativa estupida... oh, tenho tanta pena de você! - dizia mia, a olhando dormir.
a casa ficava fria e escura a noite, um ambiente perfeito para mia talvez. ela se divertia sozinha, tramando planos, traçando metas e tendo idéias para que em pouco em pouco, sua menina, morresse. sim, morresse, porque era isto que ela estava fazendo. estava matando sua querida amiga aos poucos, e nada podia empedi-la. infelizmente não, não agora. fazia pouco tempo, seria impossivel diminuir o seu poder perante aquela familia, não, não mesmo!
de manhã, kelsey acordou, um pouco triste pela recaida, ou recomeço, de ontem. viu que mesmo que odiasse mia, tinha que saber lidar com ela, saber ser amiga dela. porque era ela que a ajudava nos momentos de angustia, nas gramas a mais... sim, era ela sua amiga mais intima.
- bom dia, querida! - disse mia, sorridente.
- ah.. oi - respondeu kelsey, com um sorriso.
- sua mãe esta na mesa, esperando para o café. - disse mia, com um sorriso, parecendo estar feliz.
- minha mãe? - suspeitou kelsey, saindo em disparada para a mesa de café. e la estava ela. clara, parecendo um anjo, por conta dos raios de sol que refletiam nela. sua mãe era linda. tinha cabelos cacheados igual ao de sua filha, mas loiros, tingidos. olhos azuis, profundos e uma pele branca como se fosse um verdadeiro anjo. oh, como ela era linda! tinha um corpo bom para uma mulher de 40 e tantos anos, e seu nome era elizabeth. sra. elizabeth catlin hewligth.
- - já acordou querida? - perguntou sua mãe, dobrando o jornal que estava lendo ao meio.
- sim.. er, você não tinha que trabalhar? - perguntou kelsey, se sentando.
- na verdade, tenho sim, e vou. mas 1 horinha de atraso não faz mal a ninguém. - disse, rindo. kelsey sorriu. era bom ter sua mãe ali, com ela. se sentia amada, ver sua mãe sorrindo novamente... era bom. ela sabia que era apenas para agrada-la, mas enfim...
as duas tomaram café. conversaram, brincaram e trocaram mil idéias. mas infelizmente, ela teve que ir trabalhar e foi embora, dando um beijo na testa de kelsey de despedida. logo, mia saiu do quarto.
- ual! que legal que sua mãe tomou café da manha com você! - dise mia, indo ate ela.
- sim, poisé! - respondeu kelsey, sorrindo.
- estou feliz por voces, de verdade! - disse mia, dando um sorriso de ponta a ponta. kelsey a estranhou, nunca foi tão... doce. ate se lembrou do começo, e nem lá ela era assim. ela sabia que aquilo era momentanio, sabia que nunca mais ela seria assim, sabia que jaja ela iria voltar a ser como era antes. uma voz dentro dela falava, mas não queria escutar. claro, a razão. e como sempre, não escutava.
- temos algo a fazer hoje? - perguntou kelsey.
- não.. oh! temos.. - disse mia, com tristesa.
- oque? - perguntou kelsey, com uma das sombrancelhas eriçadas
- bom, temos que desenterrar a cocaina.
- olha, mia. por mim aquilo pode ficar para sempre lá. foi gostoso, adimito. mas não quero ser viciada em, sabe, drogas. - disse kelsey, retirando os pratos da mesa e levando para a pia.
- eu sei querida, mas não podemos deixar la. imagine se alguem fuça la e acha!
- é, você tem razão. então vamos lá né. só deixe eu me trocar. - kelsey se trocou e elas foram. chegando la embraixo, viram se ninguém estava por perto e começaram a escavação.
- ai, minhas unhas... vao ficar cheias de terra! - exclamou kelsey, olhando suas unhas.
- oh, depois nos arrumamos isso. calma, eu acho que achei. - disse mia, tirando o pacote de droga de dentro do buraco. ele estava encardido de terra. mia o limpou evoltaram para a casa.
- e oque iremos fazer com isto? - perguntou kelsey.
- que tal uma ultima cheiradinha? sabe, pra nunca mais. - disse mia, com indiferença.
- não sei... - disse kelsey, pensando.
- vamos! nunca mais você ira usar isto. porque não uma ultima? - disse mia, preparando a droga. sem pensar duas vezes, kelsey foi com tudo. ou era agora ou nunca. e ela preferia que fosse agora, já que nunca mais iria usufruir daquele magico po que a fazia se sentir tão bem. ficou zonza por um tempo, mas logo veio a viagem que tanto esperava. depois do efeito, jogou tudo fora pela discarga. deposi, deitou no sofá.
- esta com fome? - perguntou mia, se pé, ao seu lado.
- na verdade não.. estou me sentindo estranha. - disse kelsey, se encolhendo no sofa. mia estava feliz, maliciosamente feliz.
fazia 2 dias que kelsey não comia. apenas fingia, para não magoar sua mãe. também não ia ao colégio, perdeu o total interesse a estudar. para quer ir também? ficar sentada, dormindo? nem iria adiantar.
pouco a pouco, mia, estava retomando o controle. quase 1 anos, com toda essa historia. quase um ano de sofrimento, poucos de felicidade e o resto, que foi grande parte, de dor. sim, assim kelsey levava sua vida. sempre se esforçando ao maximo para ser magra. agora eram 7 quilos para a perfeição. apenas 7 quilos para ser linda. iria pedir ajuda a cocaina, a mia e os laxantes. agora eram seus amigos. seus amigos que iria em busc,a com ela, aos 7 quilos restantes.
- sua mãe sofria junto com ela, poucas vezes ela se "revoltava" contra a mia, como fez outra vez. decidiu não fazer mais, pois sabia que não era paliu para mia. tinha que ser aliada dela, pois ela estava fazendo o melhor para kelsey ser magra, tinha que esquecer de vez oque sua mãe acharia, ou que os outros achariam. e agora era sua vez de mostrar isso, via uma carta que vinha pelo correio.
- SHIT! cheogu o boletim final do colégio! - disse kelsey, sem acreditar, olhando para a carta - oh deus.. não quero nem abrir!
- não seja estupida, kelsey. você sabe que repetiu. me de logo isso! - reclamou mia, pegando a carta da mãe de kelsey. abriu e logo abriu o papel que havia dentro.
era um papel cheio de colunas, varios numeros, que a maioria eram escritos em vermelho. e com um carimbo grande que tampava quase toda a folha, foi confirmado. kelsey perdeu o ano, repetiu o primeiro colegial. ela olhava aquele papel com pavor. sempre foi boa aluna, mas a mia estava ocupando lugar demais na sua vida, não que ela estivesse reclamando (por mais que as vezes era incomodo), e não teve tempo de estudar. nem de ir ao colégio. nem de, ao menos, dar satisfação.
é claro que a ess ahora sua mãe ja estava sabendo, pois, quando você repetia, como em qualquer colégio, a diretora ligava para os responsaveis do aluno. ela se sentou no chão e começou a chorar, não acreditava no que havia virado. e alias, oque havia virado? nem ela sabia! mia não falava nada, era melhor. não era muito boa em consolar pessoas, inclusive sua querida amiga.
- - não acredito que cheguei a este ponto... queria tanto ir para o segundo ano, queria tanto! - disse kelsey, aos prantos. mia continuou a não dizer nada, apenas passava a mão gelada entre os cabelos encaracolados de sua menina.
- ... que se dane - sussurou kelsey, se levantando. foi ate o seu quarto e voltou com um pocote com pó branco. colocou sobre a mesa de vidro, e com um cartão de credito, foi ajeitando em uma fileira e logo pois suas narinas a trabalhar.
- depois de alguns estantes, kelsey começou a delirar. mia apenas a observava, como se aquilo fosse normal. kelsey foi ate o sofá ficar junto com mia, cambaleando. mal conseguia ficar de pé... era uma cena lastimavel.
ela não dizia nada, apenas queria esquecer os seus problemas. mia tentava se passar de carinhosa, e continuava a alisar os cabelos de kelsey, ate que ela se levantou e correu para o banheiro.
era a comida que ela havia ingerido ontem a tarde. sim, quase 24 horas e ela havia comido apenas um pão com queijo branco, que já era muito. seu corpo já não conseguia controlar, e com ajuda da droga, ele expulsava qualquer tipo de comida que entrasse ali. o vomito era como agua, mas amarela. não havia restos de nada ali, estava tudo diluido em uma unica sopa. sua garganta já não suportava mais. a cada coisa que se era expulsa, parecia que rasgava mais um pouco, parecia que sua garganta estava em carne viva. sua pele estava aspera, estava branca como uma folha de papel. a tempos não se olhava no espelho, então, depois da cerimonia no vaso sanitario, ela se levantou, lavou o seu rosto, e viu como estava.
era uma figura magra, mas não magra o suficiente, não para ela. branca, olheiras enormes de noites mal dormidas purgando, cabelos fracos... parecia ser uma mrta viva a procura de sangue.
- começou a se apertar, como fazia quando era um pouco mais cheinha. suas pernas estava flacidas, apenas a um toque elas tremiam. seus braços a mesma coisa, e muito finos. já dava para ver os primeiros ossos aparecendo. oh, os ossos que tanto queria, estavam ali, mas não estava contente ainda, é claro. olhou para o seu pé, e viu como se estivesse presa com uma algema, daquelas usadas em prisioneiros de prisão perpétua, como se fosse um animal, tentando fugir.
"o-oque aconteceu comigo?", disse kelsey, a si mesma, olhando para a imagem que via no espelho. não podia acreditar que era ela. seus olhos transbordaram em lagrimas, e ela se jogou no chão, chorando. as lagrimas molhavam o piso do banheiro, como um riacho.
- mia nem se preocupou de levantar do sofá para ver como estava kelsey, nem por um momento sentiu pena dela, estava muito ocupada vendo se já era o fim de kelsey, se ja podia terminar com tudo aquilo de vez. sim, porque aquele acordo que as duas fizeram não iria valer de nada, nunca mia iria ir embora, mesmo que kelsey já estivesse magra. ela teria que terminar o serviço, de uma vez por todas. não seria nenhuma novidade para mia, já terminou com muitas. kelsey só seria mais uma delas, mais uma de suas queridas amigas que iriam virar pó em algum cemitério.
mia ria, ria porque gostava de sentir que esta para ganhar, que levara mais uma, mais uma!
enquanto toda a trama de mia, kelsey se desesperava, tirava tufos de seus cabelos, e chorava. chorava com se o mundo fosse parar ali, como se sua vida terminasse ali. ficou um bom tempo chorando, chorando e chorando ate que levantou. decidiu passar no blog, ver como estão as meninas. fazia um bom tempo que não falava com elas, e nem postava. precisava delas, elas a acalmavam de uma certa forma.
- então ela foi, mas primeiro entrou no msn, para falar com algumas amigas, e principalmente, com a lovely mia. ela estve internada, e ela esperava com todas as forças que ela já estivesse se curado. ela era uma amiga muito especial para kelsey. a ajudava tanto, escutava seus medos, a acalmava... só ela sabia qual era o seu verdadeiro nome, todos a conheciam como "liar", e apenas ela sabia que seu nome era kelsey. sabia aonde morava, idade e muito mais... mas quando kelsey entrou no msn, sentiu um arrepio quando uma outra amiga veio falar com ela.
ana jolie! (luto): oi
liar.: ooi! nossa, porque vc ta de luto?
ana jolie! (luto): cara, você não sabe?? pensei que a anne havia te dito :/
liar.: dito oque????
um calafrio passou pelo seu corpo, e o medo estava corroendo o seu coração enquanto ana jolie escrevia.
- ana jolie! (luto): bom, a lovely estava internada, né? ai ela voltou para a casa mas teve uma compulsão terrivel, e foi parar na UTI. ai ela faleceu antes de ontem :~
liar.: você esta de brincadeira? DIZ QUE É MENTIRA!
ana jolie! (luto): infelizmente não é liar, desculpas :~
sem poder ao menos respirar, kelsey desligou o seu computador e foi dormir. o mundo começou a girar tão rapido, e ela apenas ficava parada, enquanto tudo girava. não tinha mais sentido de nada, nem ao menos respirava. então, ela caiu com tudo em sua cama. ela havia desmaiado.
- kelsey! - dizia mia, dando palmadinhas na cara de kelsey. - vamos, acorde!
- ahn... - disse kelsey, lentamente, abrindo os seus olhos. - oque? ain... - falava kelsey, totalmente atordoada.
- você desmaiou querida.. esta tudo bem? - disse mia, levantando ela. kelsey então dispertou para a realidade, e lembrou da causa por ter desmaiado. e então começou a chorar.
- oque foi menina? - perguntou mia, espantada.
- a lovely. ela.. ela.. - a cada tentativa de falar "morreu" ou "faleceu", uma carga de lagrimas explodia dentro de seus olhos. ela gaguejava, chorava... não parava de chorar, não conseguia se acalmar nem um momento. mia entendeu oque havia acontecido com lovely, mais uma morreu. ela abraçou kelsey com força para tentar acalmala.
- calma... nunca ira acotnecer isso com você, ta bom? nunca vou deixar... - dizia mia, carinhosamente, com um sorriso no rosto. aquele mesmo sorriso malicioso de sempre. mal sabia kelsey, que ela seria a proxima.
- mia já estava tramando aquilo a algum tempo, e teria que executar rapido. normalmente, a morte de uma menina por conta da mia ou ana, não é um incentivo para parar, e sim para continuar. para elas, aquela menina foi uma guerreira, lutou ate o fim pelo seu sonho, o seu sonho cheio de ossos e pele. mas sempre tinha aquelas menina, não tão fieis a sua doença, que tratavam aquilo como devia se tratar, como um incentivo para terminar de vez com aquela loucura toda. e esses era o medo de mia. ainda faltava um pouco, 7 quilos não se tira em uma semana. talvez em 2, com muitos nfs e muito laxantes. mas sera que kelsey não iria perceber que aquilo era, justamente, para a matar antes que ela desista? bom, mia iria correr este perigo. não podia esperar muito tempo, tinha que agir rapido. mas como o medo de mia previu, aquilo para kelsey foi uma placa dizendo "se salve, largue disso, antes que seja tarde". foi isso oque ela viu. mas ela sabia que se quisesse terminar, não poderia deixar que mia percebece. ia ser um tanto dificil, é claro que iria enganar a si mesma, porque mia iria saber. mas tinha que tentar. não aguentava mais tudo aquilo. a obsessão corria a sua pele, entrava em sua mente... não iria sair mais, facilmente. o vicio pela cocaina, agora, estava mais aparente. estava fraca, tremia, como se estivesse frio em um sol de 23°C. era hoje, ela se renderia, iria acabar de vez com a mia.
quando sua mãe chegou em casa, ela a abraçou e começou a chorar nos ombros daquela que ela amava. elizabeth, junto com sua querida filha, começou a chorar junto.
- - mãe, eu quero parar... eu preciso parar. - dizia kelsey,d esesperadamente. - não aguento mais. não quero mais, não quero...
- shhhh, calma querida, mamãe esta aqui, calma - dizia sua mãe, em lagrimas.
assim elas ficaram por um bom tempo, e kelsey foi dormir na cama de sua mãe. ao amanhecer, elizabeth viu as marcas no braço da sua filha. ela escrevia nos seus braços, coisas um pouco assustadoras: "43 kg", "happiness", "i'm not scared".
- - minha filha, minha querida filha.. como, como eu deixei tudo isso acontecer.. como? - dizia ela, com um oceano de lagrimas em seus olhos. ela olhava a sua filha dormir, com um rosto angelical, mas com uma aparencia de defunto. mia as olhava e a expressao de seu rosto era uma incognita. ela voltou para o quarto de kelsey, pegou uma caixa de laxantes, pegou um por um, os amassou ate virar um pó. depois foi ate a cozinha e colocou no suco que ela, normalmente, tomava de manha. 20 laxantes iria ser o bastante para que ela fosse parar no hospital, e quando os médicos saberem que ela é, na verdade, uma bulimica, iria internar ela na hora. mia não queria que fosse assim, queria algo que a levasse direto para a UTI, mas tinha que pensar rapido.
kelsey acordou e foi tomar o seu café da manha. mia nao disse nada, estava na sala, deitada no sofa. kelsey apenas a olhou com tristesa e foi tomar café. ela foi a geladeira e pegou a jarra do suco. mia não olhou, iria dar na cara, talvez. ela tomou 2 copos. mia quase pulava de tanta felicidade, e kelsey percebeu. a olhou com ódio. elizabeth tinha ido a alguma clinica de reabilitação para jovens com disturbios alimentares, tinha uma do outro lado da cidade.
- oque foi? - perguntou kelsey, tentando ser o mais intimidadora possivel.
- nada, oras. - disse mia, com cara de desintendida. ela tentava não rir.
- oque você fez? - perguntou kelsey, com ódio.
- na-da! esta louca querida? han, porque dormiu ontem com a sua mãe? medo de mim? - perguntou mia, rindo.
- medo? não, e não é da sua conta - disse kelsey, indo ate seu quarto.
- coitada.. é uma estupida mesmo. - disse mia, foliando uma revista.
- 5 horas depois, o estomago de kelsey deu uma enorme reviravolta, como se alguém estivesse remexendo la dentro. depois, ela não conseguia respirar direito de tanta dor que sentia. ela gritava de dor, e mia, estava adorando.
- meu deus.. oque, oque esta acontecendo? - e gritava mais.
- oque foi querida? - perguntou mia, sorrindo.
- oque voce fez comigo? AAAAAAAAAI - gritava kelsey, ja chorando. parecia que a dor transbordava de seus olhos, como se fosse sangue.
- acho que você tomou laxantes demais. - disse mia, voltando para a sala, com um sorriso sinistro. kelsey ficou sofrendo la no chão, ate que do nada, simplismente desmaiou. em 5 minutos, sua mãe, que estava na padaria, voltou. quando foi no quarto da filha, viu ela, espatifada no chão.
- filha? filha? - dizia ela, em panico. ela logo ligou para uma ambulancia.
mia, não conseguia conter a felicidade. kelsey estava branca, como papel, parecia um defunto com grandes olheiras.
quando a ambulancia chegou, elizabeth já estava em desespero. precisou ajuda de um dos enfermeiros para segura-la, pois quase desmaiou. mia foi junto, e entrou na ambulancia. ficou vendo a sua menina, ali, na maca.
no hospital, foi aquela loucura. enfermeiras para todo o lado e exames para serem marcados, com urgencia. e logo descobriram a causa daquilo tudo, e outro problemas a mais.
- sra. elizabeth?
- sim, sou eu. oque aconteceu doutor?
- sua filha ingeriu um grande numero de prugantes, por volta de 20. o seu intestino já estava destroçado. ela anda tomando muitos laxantes?
- sim.. bem , ela é bulimica. acho que ela toma.. oh deus, oque vai acontecer?
- bom, teremos que tirar uma parte do intestino, pois, ele esta morto, vamos dizer assim.
aquilo foi uma bomba para elizabeth. kelsey nunca foi a uma cirurgia, nunca precisou. agora, era preciso, retirar uma parte de seu intestino. tudo por conta de uma doença infeliz, tudo por conta da mia.
- - minha querida filha - dizia elizabeth, para a filha dopada de remédios para a cirurgia - como isso foi acontecer com você? logo com você? - e lagrimas saiam de seus olhos - ano passado, ja foi triste o suficiente... porque agora, você também? - então ela se ajoelhou - Deus, se você estiver me ouvindo, por favor, não deixe que nada de mal aconteça com a minha querida filha, por favor. - e lagrimas rolavam de seus olhos, como se as torneiras estivessem apertas. mia, encostada na parede do quarto, olhava elizabeth.
- pobre mãe... - começava - nem deus pode te ajudar. eu estou no comando, eu! - e ria com a maior maldade do mundo - as vezes, queria que você em visse sabe? - dizia ela, a elizabeth, chegando perto, mesmo sabendo que ela não podia ouvir - quem sabe você não se tocava e via que eu é que sou a dona de sua filha? ah.. pensando melhor, não seria não. se não, não poderia ver de camarote você fazendo essa cena ridicula por conta dessa obesa que esta atracada nessa cama - ela passou por elizabeth e seguiu ate a ponta da cama, aonde a cabeça de mia estava encostada. elizabeth sentiu um tanto de arrepio, mas não ligou, pois, estava mergulhada em lagrimas.
- você, minha querida... - dizia mia, com as mão no rosto de kelsey - me magoou muito. como pode me trair desta forma? forneci tanto ao seu bem. fui a única que acreditou no seu potencial, a única que se desponibilizou a te ajudar, mas como sempre - e cravou as unhas nas bochechas da menina - você foi ingrata, agora pague pelo que fez.
- ntão o médio entrou pela porta e tentou chamar atenção de elizabeth, pois estava sem graça de falar diretamente com ela. ela o percebeu e levantou na hora, secando as lagrimas.
- a ciruriga é agora. se não se importa, você poderia deixar o quarto, pois nossos enfermeiros precisam prepara-la e isso requer espaço.
ela saiu e, logo, 4 enfermeiros entraram no quarto com uma maca de rodas. ela ficou esperando em um sofá que tinha na sala de espera para familiares.
- mia segiu kelsey a cirurgia, é claro que não podia perder aquele episódio. chegando na sala, eles começaram os procedimentos e mia ficou em um canto, apenas observando. no decorrer da cirurgia, para brincar um pouco, mia sussurrava no ouvido de kelsey que ela não iria resistir, que iria morrer ali, naquela mesa.
mia, ao passar por um dos médicos, parou atrás de um, e este te ve um calafrio e em um golpe de infelicidade, cortou uma das veias importantes e kelsey. o sangue se espalhou para todos os lados, e a correria na sala era se como existissem 1.000 milhão de dolares dentro do corpo da menina. todos desesperados e mia, por sua vez, ria
- espero que eles te sequem, pelo menos sem sangue, eu acho que você ira ficar mais magra - dizia ela, rindo com um maldade atroz.
felizmente, os médicos conseguiram conter o sangue. o corte da veia paenas atrasou a cirurgia, oque deixou elizabeth ainda mais preocupada. a cada médico que saia da sala, ela corria para perguntar como sua querida filha estava, e eles respondiam a mesma coisa "desculpe, não estou nessa cirurgia".
depois de 4 horas, o médico responsavel saiu pela porta vai-e-vem que ficava entre as salas de cirurgia e a sala de espera dos familiares. elizabeth praticamente voou nele
- ela esta bem?
- sim, ocorreu tudo bem. só teve uma pequena complicação que dificultou um pouco a cirurgia.
- COMPLICAÇÃO? que complicação? - disse elizabeth, desesperada.
- se acalme. apenas um corte de uma veia principal, mas ela ja esta bem. o anestesico que ela tomou dura em média 6 horas. então, apenas daqui 2 horas, mais ou menos, ela estara acordada.
- tudo bem. vou espera-la no quarto,. obrigada doutor. muito obrigada - disse ela, dando um abraço com lagrimas nos olhos.
- so fiz o meu trabalho, sra. - disse ele, retribuindo o abraço. ela entao foi para o quarto da filha, mais tranquila.
chegando lá, apenas depois de 2 minutos, kelsey chegou. eles a ajeitaram e logo, elizabeth, foi ficar com sua filha. não piscou o olho nenhuma vez, queria ver sua criança acordar.
- então, depois de algum tempo, kelsey acordou. estava um pouco tonta e não sabia aonde estava. apenas viu a parede azul do seu quarto, sua mãe de seu lado, a olhando, alguns aparelhos fazendo barulhos chatos e mia, que estava ali, do lado de sua mãe.
- oi querida, voce esta bem? - disse elizabeth, com um sorriso tranquilador.
- só estou meio sonza... oque estou fazendo aqui? - perguntou kelsey, expremendo os olhos.
- bem filha, quando cheguei em casa você estava desmaiada. tomei um susto... e liguei para a ambulancia. então fizeram exames e etc e viram que o seu intestino precisava de uma cirurgia, proque parte dele estava morto.
- morto? como assim?
- bom, - disse ela, com dificuldade - por conta dos laxantes querida. como você tomou muitos ao longo desse tempo, aconteceu isso... - e ela começou a chorar, e então abraçou kelsey. enquanto ela a abraçava, kelsey olhou por cima do ombro da mae para mia, que fazia um sorriso, como se não tivesse nada com aquilo tudo.
- e agora? quando vai ser isso?
- bom filha... - disse sua mãe, se desgrudando da filha - ja o fizeram.
kelsey se olhou para sua barriga, tentou se mexer, mas a dor que sentia era enorme, só a notara agora.
- meu deus! minha barriga... - disse ela, horrorisada.
- filha, foi necessario, se nao voce poderia ate.. - disse sua mae,secando as lagrimas - morrer.
kelsey entendeu então o desespero da mãe, e a abraçou novamente. mia apenas ficava ali, sorrindo.
depois de 1 hora, o medico retornou para o quarto da menina, com uma enfermeira.
- hora de torcar o soro querida - disse a enfermeira, indo ate ela com uma bandeija com o material necessario. médico chamou sua mãe para ir ate o corredor com ele, pois precisava dizer algumas coisas. logo, a enfermeira saiu do quarto e ficou ela, sozinha, com a mia.
- oque o senhor quer falar comigo doutor? - perguntou elizabeth, com o rosto aparentemente cansado.
- bem, você me disse que kelsey sofre de bulimia, não é? - perguntou ele, colocando a prancheta que segurava em baixo do braço.
- enquanto isso, no quarto, kelsey apenas observava mia, passeando pra lá e para cá no quarto, sorrindo para ela.
- gostou? viu oque fez comigo? - disse kelsey, um tanto fraca.
- quer saber a verdade? - disse mia, parando bem no centro do quarto, olhando para kelsey, cruzando os braços.
- sim, na verdade eu quero. quero a verdade a muito tempo, coisa que você nunca fez. sempre enganando, mentindo pra mim, me usando...
- ta, você quer todas as verdades querida? ai vem! - disse mia, apontando para kelsey - sim, gostei muito, amei tudo isso. eu estava te usando? sim, estava. eu estava mentindo? sim estava. eu estava te enganando? enganando ate muito pelo jeito!
- eu só não sei como cai nessa, como deixei você entrar na minha vida... - falou kelsey, balançando a cabeça com decepçao.
- - sabe porque você deixou? porque você é uma gorda idiota. você acha que vomitando, ficando sem comer e tomando laxantes você ia emagrecer? engano seu! quem é gorda, é gorda pra sempre. podem faltar apenas 7 kilos para a perfeição, mas você nunca sera perfeita, sabe por que? - e agora, mia, fez um doce sorriso - porque não são 7 kilos que te farão perfeitas. você é uma gorda nojenta pro resto da sua vida. nem que você tivesse 20 kilos isso iria mudar. e sabe oque vai acontecer agora com você? - perguntou mia, com pura ironia
- oque? - disse kelsey, tentando parecer o mais firme possivel.
- você ira morrer... por minha causa - disse mia, apontando para si mesma. aquilo tudo para kelsey caiu como uma bomba. finalmente ela percebeu tudo oque ela tinha feito com ela, tudo. como ela pode? kelsey a amava ainda, amava muito. mas não podia continuar, teria que se livrar dessa obsessão, desse vicio, e sobre isso que o doutor e sua mãe tratavam la fora, no corredor.
- .. conversei com a psicologa so hospital, contei toda a historia de kelsey. e como ela é um caso de urgencia...
- urgencia? - perguntou elizabeth, assustada.
- sim sra, se não tratarmos logo, a situação ira se complicar e não poderemos salva-la. a situação de sua filha esta bastante ruim... desculpe falar assim.
- não... tudo bem - disse elizabeth, olhando para o chão.
- aqui esta os exames de sangue, e aqui consta que ela anda ingerindo drogas.
- drogas?! oque? - perguntou ela, com os olhos esbugalhados. sua filha, a sua pequena criança, ate as drogas apelou?
- sim... cocaina para ser exato. e temos que interna-la o mais rapido possivel. - disse o doutor, lendo um papel na pranxeta.
- como assim? - perguntou elizabeth, ainda desacreditada.
- as pessoas que sofreem de bulimia, em certos casos, recorrem as drogas como cocaina. as drogas fazem com que a pessoa não sinta fome.
- oh meu deus! - então ela começou a chorar... estava em depressão profunda agora. como? como não percebeu tudo isso? COMO?
- sra. elizabeth, teremos que internar sua filha em uma clinica de reabilitação. existe uma area aqui no hospital mesmo, aonde tratamos de casos desse tipo. depois de sua filha se recuperar da cirurgia, iremos transfirila para a ala de disturbios alimentares, aonde iremos trata-la, fazendo o tratamento. se fosse apenas a bulimia, não precisava ser internada, pois o tratamento é feito em casa, mas ela tambem sofre de anorexia, depressão e é dependente de drogas. - disse o médico, tentando ser o mais sensivel o possivel. elizabeth não disse nad,a apenas assinou a permissão, nem apenas leu. ela olhou para a cara do médico, depois olhou para o chão, e entrou no quarto. quando entrou, kelsey estava com o rosto inxado, na certa tinha chorado. sua mae tentou disfarçar o choro, indo ate ela, sorrindo.
kelsey apenas ficou olhando do outro lado, aonde estava mia, sorrindo, como sempre fazia
- depois de 2 semanas, kelsey estava recuperada. e logo foi transferida para os seus aposentos na ala de transtornos alimentares. quando ela entrou pela porta cinza, grande, com a placa de indicação, seus olhos estavam arregalados. meninas que eram apenas ossos, esqueletos. não eram como os esqueletinhos como queria ser, não mesmo. eram feias, pareciam cadaveres que pularam fora de suas grutas para aterrorizar o hospital. suas caras sofridas, algumas de cadeiras de rodas. kelsey não era tão magrela quanto aqueles garotos, mas o rosto... as mesmas olheiras, as mesmas caras, inxadas e cansadas. era como se kelsey se visse no espelho denovo, denovo e denovo. alguns coxixos, talvez falassem dela. menina nova, mia nova, doente nova...
- chegando em seu quarto, achou tudo tão... cinza. parecia que estava em um filme preto em branco, de terror ou drama, como preferirem.
ela se sentou em sua nova cama, aonde iria passar 5 mese,s se houvesse melhoras. infelizmente não poderia mais frequentar a escola nesse tempo... mas também, repetiu de ano... que alegria teria?
ficou pensando em sua vida, em tudo. olhou para o corredor, e la estava as meninas bulimicas e anorexicas, depressivas concerteza e talvez dependente de drogas. em que beco ela se meteu?
2 meninas entraram em seu quarto. uma tinha longos cabelos lisos, quebradiços, e era uma esqueletinho. tinha a mesma aparencia cadaverica de kelsey. já a outra, era ruiva, tinha sardas e era mais magra do que a loira, ou de qualquer uma daquele lugar.
- oi. - disse a loira, entrando no quarto de kelsey. ela então despertou de seu transe.
- oh, olá. - disse ela, tentando ser simpatica.
- nova aqui né? bem, meu nome é bridget e a ela se chama alexa. - se apresentou a loira, bridget.
- prazer.. eu me chamo kelsey
- kelsey era o nome da minha melhor amiga. - disse alexa, a ruiva.
- ow, sério? - perguntou kelsey, simpatica.
- sim... não vejo ela a séculos... - logo kelsey pensou em sua melhor amiga, brit. oque ela estaria fazendo agora? aonde ela estaria?
- concerteza em uma lugar melhor do que o lugar que ela estava, com toda a certeza.
- bom, venha, vou lhe apresentar as outras meninas. - disse bridget, a puxando pela mão. kelsey olhou para trás, e viu mia, sorrindo, dizendo apenas com os labios, sem som: "vá". ela não se sentiu mais encorajada, não mesmo. mas de qualquer forma, ela foi, teria que passar um tempinho ali, precisava falar com as outras meninas, pelo menos conhece-las.
quando as 3 chegaram no corredor, havia um pequeno alvoroço ali. quando kelsey apareceu, todas as meninas se calaram, pois antes estavam coxixando. elas ficaram ali paradas, todas olhando para kelsey.
- bom meninas, essa é a kelsey - disse bridget, a mais comunicativa pelo que parecia, em um sorriso saudavel.
- você é oque? - perguntou uma voz no alvoroço. eram praticamente todas meninas, apenas alguns meninos, talvez uns 5 ou 8.
- como assim? - perguntou kelsey, desorientada.
- oh deus, você é bulimica ou anorexica; ou outra coisa? - perguntou uma menina que estava mais afrente, um tanto emburrada.
- - suzan, por favor! - disse alexa, com uma cara de repressão.
- oque? oque eu fiz agora? - disse a menina emburrada, agora com uma expressão um tanto minfantil.
- porque precisa ser sempre antipatica? - perguntou alex,a cruzando os seus braços finissimos. suzan, a menina emburrada, não respondeu, apenas voltou para sua expressão antiga, mas agora, mais precisa.
- bom... os medicos também disseram que eu sofro de ana, mas eu me considero uma mia. - falou kelsey, com uma tranquilidade que dificilmente existia em seu ser.
- é, a gente percebeu que você era mia né, esta gordinha. sem ofenças. - disse bridget, se virando para kelsey. então kelsey se olhou e voltou o seu rosto para bridget.
- - é.. eu sei. - aquilo a furou como uma agulha. nem se lembrava que estava ainda fora de sua meta, e naquele momento, deu uma tremenda vontade de voltar com tudo. mas não podia, uma força minuscula dentro dela a dizia que era para ela ficar ali, precisava ficar ali. e como raramente fazia, tentou dar ouvidos aquela "força".
- oh, desculpe. - disse bridget, concerteza havia percebido a voz de desgosto de kelsey.
- não, tudo bem. da última vez que me pesei, faltavam 7 quilos para a minha meta estar completa, mas agora, não sei bem quanto falta. - disse kelsey, tentando desfarçar a agulhada que levara outra hora.
- vim para cá com 5 quilos a mais de minha meta. minha meta era 45, mas estava pesando 40. - disse bridget, sorrindo.
- a minha era 35 ou no maximo uns 38. estava com 40 quando vim para cá. - disse alexa, tomando a vez de bridget.
- e qual é a sua meta? - perguntou suzan, tentando ser simpatica.
- bem, 45, e 40 para depois. - disse kelsey, tentando relaxar.
então todos começaram a conversar, cada um contando sua história, até que chegou a parte em que os viciados se mostraram
- bem, comecei com cacaina, e quando não tinha dinheiro, cheirava ate cola de sapato. - disse um menino, muito magro.
- eu sempre fumei cigarros, matava minha fome. mas com o tempo, fui experimentando outros tipos, mas nunca passei de alguns basiados, não gosto de coisas muito fortes. - disse uma menina, não tão magra, mas com uma aparencia cadavérica - sei que não matavam fome, e sim, davam fome, porém, me faziam esquecer minha vida.
- bem... - chegou a vez de kelsey - eu comecei com cocaina, sabe, pra matar a fome. li em alguns lugares que tirava a fome. mas acredite ou não, não sou uma viciada. cheiro de vez em quando, talvez 1 vez a 2 meses - dizia kelsey, se lembrando da primeira vez que foi comprar um papelote. oh, estava tão nervosa... aqueles traficantes não ajudavam muito também.
- ah, então você não devera sentir tanta falta das drogas, kelsey - disse um dos meninos, que se chamava david.
sim, talvez ela não iria, mas iria sentir saudades de mia, sabia que iria.
- um sinal tocou, e todos começaram a se emcaminhar para uma sala enorme no fundo do corredor extensso que contia os quartos das crianças. como era novata, kelsey ficava em um quarto só para ela. mas em 1 mes, teria que dividir o quarto com mais 2 meninas. ela foi ate o corredor e alexa estava parada em frente a porta dela.
- vamos, hora do almoço. vem logo antes que as doutoras venham aqui brigar com você! - disse ela, puxando kelsey pelo braço. mia foi junto com ela, tentaria evitar que kelsey comesse demais.
- ela brigaria comigo por que? - perguntou kelsey, soltando seu braço e andando ao lado de alexa.
- bom, algumas meninas tentam se esconder para não ir comer. tem dias que metade do grupo não vai ate o refeitorio. então, as médicas vão lá e forçam você a vir. ja tentei escapar, varias vezes, e apenas uma vez consegui escapar. e olhe, foram varias vezez que tentei. - disse alexa, se juntando a bridget.
- é, eles não deixam você fazer nf nem por 24 horas. é horrivel! - disse bridget. então elas chegaram ao grande salão, extremamente branco, tão branco que doia os olhos. lá, havia os pratos de todos, com plaquinhas.
- porque os pratos tem nomes? - perguntou kelsey, procurando o seu.
- porque quando se é novata, você come mesmo. porque se colocarem muita comida em seu prato, você ira recusar. ao decorrer do tempo, você come muito, tipo aquela menina lá, a steph. ela esta aqui a quase 2 anos - disse bridget, apontando para uma menina, não tão magra como as outras, com uma porçao maior de comida, do que nos outros pratos. é, aquilo era um exageiro. para que tanta comida?
kelsey achou o seu prato e foi se sentar perto de suas novas amigas. era bom ter amigas assim, mesmo que seja em um hopital de reabilitação.
elas comem como ela come, devagar, brincando com a comida. os braços de alexa, de tão magros tremiam, com a força que fazia para segurar o garfo. bridget, as vezes, com um quardanapo, cuspia toda a comida que comia na garfada, com muito cuidado, pois as medicas não podiam ver.
- kelsey percebeu, que todos tinham macetes para se livrar da comida. todos eles. precisava achar um rapido, não queria voltar a ser tão gorda como antes. sim, ela queria se recuperar, mas não voltar a ser gorda, como ela pensava. como ainda não tinha um macete, ela resolveu ir ao banheiro. lá ela podia miar tudo que havia comido, tirar todo o mal de seu corpinho. depois de muito tempo, tomando muita agua, ela foi ate o banheiro, mas a porta estava trancada.
- hey, porque a porta esta trancada? preciso ir ao banheiro - perguntou ela a uma enfermeira. kelsey tentou fingir que estava com vontade de fazer xixi, fezando as pernas.
- ih querida, tu es nova aqui? - perguntou o mulher, parando em sua frente.
- bem, na verdade sou sim - respondeu kelsey, expremendo ainda mais suas pernas.
- você devia saber que ir ao banheiro depois do almoço é proibido, so com algum medico junto.
- mas que barbaridade! porque isso? - perguntou kelsey, com tanta raiva, que ate se esqueceu de sua farsa.
- por conta disso... nós sabemos oque você tentam fazer depois do almoço. tem que ser assim, desculpe. mas se você quiser ir, vou com você. - disse a enfermeira, com um toque de ironia. "oh, que otimo", pensou imediatamente kelsey.
- - bom, entao vamos, estou muito apertada - ela mentiu, entrando no banheiro. ela tentou ao maximo produzir pelo menos uma gota de urina, mas oque saiu, foi bem pouco, mais proximo de zero. ela não se sentia confortavel, com uma enfermeira ali, ao seu lado, a olhando. precisava arrancar tudo de si, tudo. mas aquela mulher estava a deixando atrasada. ela entao deu descarga e saiu. lá ela encontrou max, um dos meninos que estavam internados ali.
- oi... - disse ele. quando ele viu a enfermeira saindo atras de kelsey do banheiro, ele logo disse. - já tentei fazer isso na primeira vez, não seu nada certo - disse o menino, sorrindo. kelsey sentiu uma confiança totalmente estranha perto do menino, era como se eles se conheceram pequenos, e agora, ja estavam adolescentes, e doentes.
- max e ela conversaram durante muito tempo, talvez horas. mas kelsey começou a se sentir um tanto sonza.
- esta tonta? relaxa... são os remédios - disse max, tentando acalma-la.
max era um menino muito magrelo, como outros ali, mas era diferente. tinha um sorriso, coisa que era raro de se ver ali. seus olhos azuis profundos, davam arrepios na pele de kelsey. seu cabelo, preto como carvão, porem quebradissos, estavam revoltos em seu rosto, que era de uma pele macia e branquela, como de uma petala de rosa branca. os olhos dele eram tão penetrantes, que em meio da conversa, kelsey se perdia neles. era impressionante. um meino tão bonito... oque aconteceu para ele virar isto? apenas uma pilha de ossos?
- - ohn, deve ser. - disse kelsey, fexendo os olhos e os expremendo.
- vamos, te levo ate seu quarto. - disse o menino, com gentileza. ele a levou ate lá, e a deitou.
- ... brigada - disse kelsey, com um sorriso sonolento.
- denada. fique deitada, pois acho que te deram algum calmante. - disse max, em pé, ao lado de sua cama.
- acho que sim... - disse kelsey, sentindo suas palpebras cada vez mais pesadas. e em alguns instantes, ela adormeceu. foi instantanio, não tinha como lutar contra. ele apenas sorriu quando kelsey fechou os seus olhos, e saiu pela porta, com a simplicidade de um vivo.
logo, ja era de madrugada, foi quando kelsey acordou. mia estava do seu lado, olhando pela janela.
- que horas são? - perguntou kelsey, se ajustando na cama.
- oh, levantou dorminhoca? - disse mia, se destraindo de sua disperção. - deve ser umas 4 ou 5 da manha.
- dormi tanto assim? - perguntou ela, um tanto longe.
- os dormentes dos hospitais são fortes, queria ter acesso a uma caixa, é bastante util. - disse mia, pensando.
- para oque? arruinar minha vida depois dessa internação? não não, não é util. - disse kelsey, se lembrando de tudo que mia havia causado, antes esquecido por um momento, ontem. mia, por sua vez, fingiu que não ouviu, e apenas fez um daqueles seus sorrisos, falsos, e amarelos.
- - esse pessoalzinho daqui, é legal? - perguntou mia
- são... - disse kelsey, revirando os olhos - como se você se importasse.
- é claro que eu me importo! você pode estar furiosa comigo, mas eu me preocupo com você.
- não, não se preocupa! você é um demonio que se instalou em mim... - disse kelsey, com os dentes trincados.
- vamos lá! você sabe que não é verdade... você me ama, kelsey, é tão dificil entender isso? aceite, apenas aceite! - disse mia.
- prefiro morrer do que aceitar você denovo na minha vida! - repsondeu kelsey, ela se virou e voltou a dormir.
- desculpe, mas você ira morrer de qualquer jeito... - disse mia. kelsey imediatamente se virou, e olhou para ela
- oque?
- sim... acho que você não sobrevivera mais. - disse mia, com calma e simplicidade.
- você só esta querendo me assustar... - se fosse esse o objetivo de mia, ela havia conseguido, pois kelsey estava mais assustada do que nunca.
- - não... não estou. acho que no maximo, alguns 3 ou 4 meses. - disse mia, se levantando - vou dar uma passeada por ai, quando voltar, pense no que você prefere: morrer gorda ou morrer magra. se fizer a escolha certa, eu darei um jeito! - e então, mia saiu pela porta, deixando kelsey olhando tua sombra. ela não sabia oque fazia. não que tivesse medo da morte, mas infelizmente, sentia medo de morrer gorda. mas por outro lado, tinha que deixar mia, talvez, ela poderia viver. era uma escolha dificil, oque fazer? deixar um sonho de lado ou tentar sobreviver? todos sempre diziam, que é melhor morrer tentando, mas isso servia tambem para este sonho? um sonho mortal, talvez, seria diferente. mas era esse sonho mortal que vagava na cabeça de kelsey. ela olhou para o seu braço, e ela estava as marcas de sua depressao. cada palavra, riscada a tesoura em sua pele. sua meta estava ali, para quem quiser ver. ela sempre andava com camisetas com mangas compridas, não queria mostrar tuas tatuagens de dor. mas ali estava ela, com as mangas arregaçadas e os bracinhos expostos, refletindo a luz da lua.
- ela sentia falta de sua mãe, de seus amigos, de sua vida... era feliz, mesmo sendo gordinha. tinha amigos, tinha uma vida feliz, sem sofrimento. e agora isso já não era possivel... ela desapontou sua mãe de uma forma que é impossivel reverter, simplesmente deixou os seus amigos de lado, usava drogas, provocava vomito, chorava, se cortava e laxantes. e para que tudo isso tenha um fim, agora ela esta em uma clinica de reabilitação, quase tampando sua sepultura. depois de tudo, oque fazer? ir ate o fim ou deixar tudo de lado, e tentar esquecer esta vida infernal que teve?
metade dela acreditava em mia, de qualquer jeito, ela ira morrer. mas por outro lado, se ela tentasse pelo menos, iria, só por um talvez, viver novamente.
ela olhava o seu braço, e tatuado, bem em baixo de uma pulseira (sua pulseira vermelha, pró ana), estava sua meta. os 45 quilos tão cobiçados. ela olhou para sua barriga, sera que ainda faltavam os 7 quilos? parecia tão mais magra.
- depois de algum tempo, mia voltou. a luz do luar refletiu nela, e ela estava um pouco assustadora. já não era tão bonita, ja não era tão perfeita. agora estava aparentando um pouco uma caveira, mas só um pouco. pois ainda sim, ela era perfeita. seus cabelos, diferente dos outros daquele hospital, eram perfeitos. lisos, loiros e sedosos.
ela se lembrou da primeira vez que falou com mia. estavam no playground, ela era bem mais bonita naquela época. oque aconteceu com ela? do nada virou aquela criatura não tão perfeita?
- se decidiu? - perguntou ela, parada na porta. kelsey saiu de seu transe.
- na verdade... não.
- eu não te disse?
- sim, em disse, era pra eu resolver antes que você voltasse. mas não consigo - disse kelsey, sendo agradavel pelo primeiro momento desde que estava naquele hospital. mia percebeu, então não forçou mais.
- tudo bem... só não demore muito, ate amanha de tarde esta bom para você? - perguntou mia, voltando ao seu lugar.
- pode ser. - disse kelsey. seus olhos seguiam mia, discretamente.
- kelsey se virou para o lado, para a porta. ficou encarando a porta aberta por alguns momentos, ate que viu um vulto. ela então, firmou seus olhos mais ainda, e então viu quem era. era steph, a menina que passou mais tempo na reabilitação (2 anos, saindo e voltando). ela andava cautelosamente, vendo se ninguém estava por perto, como um gatuno no meio da noite. kelsey se levantou, e foi ate a porta, ver oque ela faria. steph pisava tão leve que parecia que flutuava sobre o chão, ela então, entrou no banheiro. logo depois, uma das enfermeiras passou pelo corredor e viu kelsey, parada na porta.
- oque ainda faz acordada, querida? - perguntou a enfermeira, acendendo a luz de seu quarto.
- acho que o efeito do calmante simplismente passou, e não consigo dormir - disse ela, tentando distrair a mulher. era claro que steph foi ao banheiro por conta de necessidades ao meio da noite, e é claro que se a enfermeira (seu nome era rosa) a visse, iria ter sério problemas. nem havia trocado uma palavra com steph, mas seria bom ajuda-la. talvez, qualquer uma ali, caso fosse necessario, faria o mesmo por kelsey. então ela se sentiu na obrigação.
- rosa voltou para a sala da onde saiu, e steph, saiu do banheiro, com agilidade, e voltou ao seu quarto. ela passou pela porta de kelsey e deu um sorriso rapido, um sorriso de agradecimento.
steph era magra, mas não a mais magra dali. tinha cabelos coloridos, repicados no ombro. não era baixa mas, muito menos alta. era mediana. sua pele era morena, um pouco palida. tinha olheiras, mas nem tantas assim. ela vestia uma camiseta da banda ramones e um short curto, salmão. e para, talvez, deixar os barulhos de seus pés no assoalho quase inexistentes, ela usava meias brancas.
kelsey sorriu de volta, mesmo que steph ja tivesse ido embora. rosa chegou com uma bandeija com uma agulha e o sedativo.
- vamos deitar querida? - disse rosa, ajeitando tudo. ela então preparou o soro e enfiou a agulha em kelsey. ela já não sentia tanta dor, como iria com braços iguais aquele?
- o soro entrou em suas veias e logo ela adormeceu, com suas palpebras pessadas, impossiveis de ser levantadas. foi um sono profundo, acordou lá pelas 9 da manhã com batidas na porta. ela levantou para ver quem era. era steph.
- você estava dormindo? - perguntou ela, um pouco sem graça.
- não... - disse kelsey, passando a mão em seus olhos. depois a olhou, procurando um motivo por ela estar batendo em sua porta.
- ah... bem, obrigado por ontem, sabe. foi por pouco. - disse a menina, sorrindo - você é nova aqui, mas deve ja ter escutado sobre mim... mas de qualquer jeito, meu nome é stephanie, mas todos me chamam de steph, prefiro assim.
- ah, tudo bem steph. meu nome é kelsey.
- um prazer. han, você não vai tomar café?
- vou sim, só me deixe me aprontar... quer entrar?
- pode ser - disse steph, entrando no quarto de kelsey. ela deu passos largos, olhando tudo.
- que saudades desse quarto... me lembro de minha primeira vez aqui. - soltou steph, sentando na cama de kelsey.
- me sinto um tanto solitaria... - disse kelsey, olhando para mia.
- - vai por mim, é melhor assim. sabe, meninas roncando, acordando de madrugada... sem falar das crises que algumas tem, logo que voce esta no decimo primeiro sono.
kelsey preferia tudo isso do que dividir o quarto com mia. assim, ela não podia escapar dela, não podia ignora-la. pois, era so ela o quarto vazio, mais ninguem para ouvir e pensar que kelsey era maluca.
ela se vestiu e as duas foram para o refeitorio. quando as duas entraram, logo todos as olharam. escutaram cochichos, "a novata e a veterana juntas?", mas todos foram relevados. não precisavam ser observidos.
elas se sentaram junto de alexa e bridget. quando steph se sentou, as duas se calaram. concerteza, apezar de ser veterana, ela não era muito popular ali. talvez tivesse um motivo, mas nunca foi dito.
- por momentos, não se ouvia um pio, apenas as mastigadas de todos, muito lentas e interminaveis. kelsey encarou o seu prato. uma fatia de mamão, 5 bolachinhas cream cracker, um punhado de aveia e uma fatia de queijo branco. em sua frente havia uma jarra de suco alaranjado, talvez laranja ou maracuja, e uma jarra metalica, estava suando. talvez leite morno. ao lado, havia uma lata de achocolatado. duvidou por um momento que alguém fosse tomar aquilo, afinal, elas são conhecidas por não comer muito, muito menos coisas caloricas.
alexa quebrou uma de suas bolachinhas, com um 'crack' bem discreto. kelsey então percebeu que, de tão finos e doentes, os braços de sua amiga ruiva tremiam.
tremiam talvez pela falta de comida.
ou talvez, pela dor mortal que a comida fazia a alexa.
bridget, quebrando o gelo, sorriu para kelsey.
- - hey, e como você dormiu?
- bem.. fui sedada. - disse kelsey, ainda analisando o seu prato.
- na minha primeira vez aqui, fui sedada também. - disse bridget, comendo uma das bolachas, passando no pote de geleia que estava em sua frente.
- acho que todas fomos... - disse alexa, terminado de comer sua primeira bolacha de 5.
- do que estão reclamando? fui sedada 6 vezes. - disse steph, dando risada. pelo tom de voz, era estava debochando das meninas. alexa e bridget quase desapareceram depois da fala da rebelde.
- você esteve 6 vezes aqui? - perguntou kelsey, amassando o seu mamão.
- sim sim... 6 vezes em 2 anos, acho que ninguem, quebra esse recorde. - kelsey entendeu porque ela era não tanto popular ali, as medicas concerteza faziam de tudo para que ela ficasse longe dos outros. era uma má influencia.
- sabe, acho que não iria ficar vindo e voltando... acho que se não aguentasse mais, iria apenas sair. - disse bridget, comendo a sua 5ª torrada.
- - eu queria estar la fora, livre para fazer oque eu quiser. mas eles insistem... - dizia steph, com um tom triste, mas depois, foi alterado, para um de desabafo - o fato é que eu não quero me livrar delas. elas me fazem magra, e é com elas que vou ficar. só estou aqui para não deixar minha mãe tão infeliz. sabe, estou para fazer 18 anos, jajá irei ter minha casa que meu tio deixou para mim, sera so minha. viverei só, longe de todos. apenas aparecerei para o mundo quando estiver com os meus lindos 35 quilos. antes disso, serei uma prisioneira. - então ela abocanhou uma de suas bolachas. todas ficaram caladas, estavam pensativas. mas kelsey não estava. ela apenas se paralisou, depois olhou para steph. atras dela, estava a porta. na porta, mia a olhava. estava escutando tudo, com toda a certeza.
ela achava que steph era uma boa companheira para kelsey. talvez aquela menina, rebelde, iria fazer sua querida amiga ser magra. ou pelo menos ajudar.
- depois do café da manhã, kelsey foi ao seu quarto. lá, encostado na parede, estava max, seu novo amigo.
- não te vi no café da manhã - disse kelsey, indo ate ele.
- é, mas eu te vi. nova amiga um tanto peculiar, não? - disse ele, rindo. max devia ter uns 19 anos ou talvez 20, pelo jeito que falava.
- um pouco só. ela é uma boa pessoa.
- sei disso, só é mais rebelde do que os outros. - disse ele, arqueando sua sombrancelha direita.
- é, disso você tem razão.
eles conversaram ate o almoço. todos que passavam, cochichavam. não havia nada de mais, eram dois amigos, apenas dois amigos trocando experiencias.
no almoço, ela se sentou com max, bridget e steph. estava faltando alguém. era alexa.
- oque houve com alexa? - perguntou kelsey, preocupada.
- ela teve uma crise, vomitou todo o café da manhã. acho que encheram ela de remedios agora, deve estar entrelada na cama.
- sempre acontecia comigo. daqui umas 2 horas, ela pode estar correndo nua por aqui... - disse steph - quando tomei esses sedativos, corri pelada.
- sim, eu me lembro. - disse max - todos se lembram
- - oh, oque é isso? vomito de cavalo? - disse steph, se referindo a sopa. ela ignorou totalmente o comentário de max. ela disse em um tom alto. tão alto que a nutricionista escutou do outro lado do salão, e respondeu, no mesmo tom.
- não, é sopa de ervilha. e é bom você comer, stephanie.
- é steph! - gritou ela, em resposta, dando enfase em seu apelido.
depois do almoço, todos foram ate seus devidos quartos, precisavam descansar. não podia queimar calorias, precisavam acumular mais e mais.
max se despediu com um beijo na testa de kelsey. em tão pouco tempo, havia virado o seu irmão, um irmão mais velho. tão sabio e tão doente quanto a ela, os dois eram irmão perfeitos.
ao chegar em seu quarto, rosa a esperava. precisava tomar seus remedios e repousar. mia, estava la, e apenas a olhou. kelsey a olhou denovo, os olhos cruzados, uma carga eletrica passou no corpo da menina, arrepiou seu braço.
- uma boa amiga aquela sua... a dos cabelos coloridos. - disse mia.
- sim, ela é... - kelsey estava com medo da resposta que iria dar. aquilo estava corroendo o seu corpo, a cada minuto do dia.
- acho que você me deve uma resposta - disse mia, com o rosto sereno.
a barriga de kelsey agora, era apenas alvoroço. uma sopa borbulhando, ou a agua fervendo... sim, parecia isso, sua expressão passava isso. ela abriu sua boca, iria falar, mas um alvoroço ainda maior que o de sua barriga aconteceu no corredor. ela virou seu rosto correndo, a porta entre aberta mostrava médicos correndo, desesperados. ela foi ate a porta e a abriu, rapido.
havia uns 10 medicos e enfermeiros, todos desesperados. os ultimos levavam uma maca com eles. no fim do corredor, estava algumas meninas, entre elas, bridget, chorando.
eles entraram no quarto aonde ela e alexa dormiam. kelsey percebeu que a única que não estava no corredor era alexa.
- ai deus, alexa!
- do estava em camera lenta quando kelsey sentiu a falta de alexa. os médicos correndo, bridget chorando, as meninas tampanda seus olhos com a mão. kelsey corria, mas quanto mais corria, tudo ficava mais lento.
os internos saiam de seus quartos, ela tentava ganhar espaço. empurrava, tirava eles da frente.
então, ela chegou no quarto de alexa. tomou folego antes de tentar adentrar o local. médicos a empediam, mas ela os empurrou.
lá estava alexa.
- um corpo deitado em uma cama, coberto com tinta vinho espessa. havia uma faca. médicos diziam números, enquanto outros, enfiavam o desfibrilador no peito da menina. 3 tentativas, 3 números diferentes, 1 cara de decepçao. um barulho ao fundo invadia o quarto, um barulho que doia os ouvidos, um barulho ja conhecido. todos olharam um pequeno monitor ao lado da cama de alexa e apenas uma linha verde era vista.
- hora de obito, 13:34 - disse o médico que segurava o desfibrilador, ele olhou para baixo, uma cara de decepção. 5 enfermeiros sairam do quarto, kelsey saiu junto com eles. as meninas entraram. se escutou um grito e lagrimas caindo no chão.
kelsey apenas andava, não via nada, não pensava nada. apenas andava. todos corriam para o fim do corredor.
ao chegar em seu quarto, ela parou um minuto, olhou para baixo. olhou para o horizonte, não viu nenhuma esperança. uma lagrima caiu de seu olho, e dela sairam outras. as vozes no fim do corredor eram atormentadoras e dolorosas. cada grito, cada lagrima, cada palavra, fazia o coração de kelsey cada vez se encolher mais. já, ele não existia. ela não conseguia existir. tudo desmoronou, feito uma piramide de cartas de baralho.
mia a viu parada na porta, não fez nada, apenas a olhou.
kelsey, de vagar, se arrastando pela parede, se sentou no chão. sua mão ossuda cobriu seu rosto vermelho. "este é o meu fim", pensou.
- Todas foram liberadas para o enterro de Alexa no dia seguinte. Kelsey estava disolada, não conseguia sem ao menos respirar. Mia foi com ela, tentou ser o mais doce possivel, tinha que ser delicada em uma hora dessas.
O cachão foi posto na cova, kelsey ficou a olhando, olhando o tumulo sendo fexado. A familia da menina estava chorando muito, estavam desesperados. Elizabeth foi dar os pesames.
- Meus pesames, querida. - disse elizabeth, abraçando a mãe da menina.
- Sua menina é da clinica, não é? - perguntou a mão de Alexa, secando suas lagrimas com um lenço.
- Sim...
- Faça o maximo para ela parar, lute. Eu larguei minha filha, a abandonei. Ela foi embora sem eu poder dizer que a amava... - e ela chorou mais.
- elizabeth logo olhou para kelsey. Os olhos de sua menina estavam fixos em algum lugar, a sua respiração era a unica coisa que se mexia. Elizabeth foi ate ela e a abraçou. Kelsey estava em um transe tão grande que não podia retribuir, apenas ficava ali, com os olhos pregados em um ponto do chão.
mia as olhavam, sentia pena. oque mais sentir, afinal? ela era a única que sabia que kelsey iria acabar como a amiga, de verdade.
- eu te amo filha... muito. - disse sua mãe, ao pé de seu ouvido. então, kelsey a abraçou, em um movimendo lento.
- eu também... - ela respondeu.
Ao escurecer, todos já tinham ido embora, elas eram as ultimas. mia estava bem atras delas. Sua mãe a levou devolta a clinica de reabilitação.
- brigada mamãe. - disse kelsey, saindo do carro. nunca chamava sua mãe de mamãe, raras as vezes que chamou ela assim na sua infancia. elizabeth saiu do carro e olhou a menina, em um vestidinho preto, entrando no hospital.
ela andava pelo hospital como se não tivesse vida. ela parou em frente da porta aonde ficava a clinica, e ficou olhando para placa, a encarando.
uma mão passou em seu ombro, ela olhou para traz, era steph.
- você esta bem? - perguntou.
- acho que sim - disse kelsey.
as duas entraram e kelsey foi direto para o seu quarto, e se deitou. dormiu em 3 estantes.
- 2 dias foi o tempo que kelsey levou para acordar. todos se preocuparam, ate mia se preocupou. ela acordou perto do almoço com mia a observar. ela abriu o olho, e mia levou um susto.
- voce esta viva! - disse mia, batendo palmas.
- e porque estaria morta, idiota? - perguntou kelsey, com os olhos expremidos, quase fexados.
- ... e acordou com mal humor - disse mia, sorrindo - todos nós achamos que você havia tomado muitos sedativos e morreu. bom, eu não, mas as suas amigas sim.
- oh, por favor! - falou kelsey, revirando os olhos.
- oras... oque iriamos pensar? você dormiu 2 dias seguidos! sabe, não te culpo, vejo que não andas dormindo muito bem, mas 2 dias é muito!
- 2 dias? como? - disse kelsey, agora com os olhos arregalados.
- você voltou do enterro de sua amiga, tombou na cama e só deu sinais de vida agora... simplismente isso.
kelsey se lembrou de alexa e jato de depressão passou pelo seu corpinho, a deixando triste, denovo.
- - vou tomar café da manhã então... - disse kelsey, se esgueirando da cama, como uma lombriga.
- você quer dizer, almoço, né? - disse mia, indo até ela.
- tanto faz...
ela vestiu a primeira roupa que havia em seu guarda roupa e saiu do quarto. mia decidiu ficar lá. mesmo sem querer, kelsey havia feito um nf de 2 dias, seu estomago não iria aguentar muita comida, ainda mais depois de acordar.
kelsey foi ate o quarto de bridget, andando em passos pequenos e sonados. chegando lá, bridget estava conversando com uma de suas companheiras. quando viram kelsey parada na porta, elas pararam de conversar em imediato. bridget saltou da cama e correu para kelsey, a abraçando.
- pensei que você também tinha ido embora... - disse ela, sem emoção.
- oh, ira demorar para eu ir embora - disse kelsey, não tanto confiante em sua afirmação.
- - assim espero... - e a abraçou mais forte ainda.
elas conversaram um pouco sobre alexa, bridget havia dito que no hospital, todos estavam com caras tristes, até mesmo os enfermeiros que tinham menos contato com ela, afetou a todos a morte daquela magrelinha de cabelos ruivos. e, mesmo com o pouco convivio, afetou kelsey como uma bomba. ela sabia que ia ser a proxima, não podia mais adiar. já estava convicta que mesmo que lutasse, as chances seriam minusculas. ela havia chegado no fundo do poço.
- sabe, max ficou muito preocupado com você. - disse bridget, abrindo um pequeno sorriso, bem minusculo.
- oh, depois irei falar com ele, dar sinal de vida.
- é bom mesmo... ele ficou preocupadissimo. a steph também ficou, e sabe, ela nunca fica assim.
steph, max e bridget, os amigos doentes e magrelos de kelsey. quem diria que ela poderia ter amizades denovo alem de mia? quem diria?
steph, sua amiga rebelde, com seus cabelos coloridos, braços e pernas finissimos.
bridget, a alegre, mesmo doente, tenta ser feliz.
e max, seu amigo-irmão, que mesmo pelo pouco tempo é a pessoa com quem podia contar sobre tudo, tudo mesmo.
mesmo que sejam poucos e com varios defeitos, eram amigos que qualquer pessoa queriam ter. mesmo sendo doentes, mesmo sendos magrelos, mesmo compartilhando de uma loucura, as suas qualidades eram incriveis. uma pessoa que tinha amigos assim, do que mais precisaria?
bem, lhes digo oque. ser magra.
- kelsey podia ter tudo, os amigos, a mãe, a vida perfeita, que qualquer menina de sua idade invejava, mas ela não era feliz. não era isso tudo que a interessava. ela tinha que ser magra, era um sonho que ela não podia lutar contra. ela podia esquecer por 5 minutos, mas no 6º minuto, já lembrava de como é lindo ter pernas e braços finos, um corpo reto e o rosto chupado.
e claro, uma amiga-não-tão-amiga que era a sua chave. sua chave para o corpo perfeito.
infelizmente, kelsey agora preferia morrer do que pertencer essa chave, mesmo querendo ver o outro lado da porta.
- se passaram 3 meses depois da morte de alexa, e kelsey continuava contando o tempo de seu fim. mas ela não precisava mais contar, estava se esgotando. cada dia, cada hora, cada minuto ela ficava mais magra, os seus olhos pulavam para fora. era claro que o tratamento não estava mais dando certo. ela tomava varios remedios, comia muito, mas sempre dava um jeito de se livrar. o seu intestino já não segurava mais a comida, e os médicos notaram.
em uma segunda feira, elizabeth foi chamada ate a clinica. batidas de porta acordaram kelsey, um esqueleto abriu a porta. os cabelos encaracolados, estavam em um nó castanho.
- - olá querida! pronta para fazer as malas?
- oque? - kelsey desconfiou. apezar de ter feitos amigos perfeitos ali, estava louca para sair. mas sabia que nao era a hora certa para deixar o tratamento.
- é querida! seu tratamento foi finalizado! - o fato era que eles estavam lavando a mão para kelsey. havia muitas meninas com disturbios alimentares, ela estava alugando um quarto só para ela pois, como não houve progresso, ela tinha um quarto (frio e branco) só para ela. ela não podia ficar ali. iria tentar um tratamento em casa, talvez daria mais resultados.
ela se vestiu e foi ate uma sala, aonde sua mãe a esperava. o susto estrenhou os olhos de elizabeth. aquele esqueletinho, parado na porta, era sua filha?
ela estava tão magra, tão ossuda, tão palida! como nao tinha espelhos ali (era proibido), o maximo que conseguia era uma olhadela na colher na hora das refeições.
mas ela a abraçou mesmo assim, mas não com tanta força que queria, elizabeth estava com medo de machucar o ser tão fragil e esqueletico que parecia sua filha.
- bom, kelsey vai tentar um tratamento a distancia, em casa. vida normal: colégio, amigos, e etc. - dizia o médico, sendo o mais simpatico possivel - agora mvá, kelsey, arrume suas malas, se despessa de todos os seus amigos.
- mas dr. - disse kelsey, com uma voz cansada - eu posso, de vez enquando, visita-los?
- claro! - disse ele com um sorriso
- ela foi ate o seu quarto e deixou sua mãe e o médico sozinhos. logo, o doutor tirou o sorriso de seu rosto.
- gostaria de falar algo apenas para a senhora. podemos? - disse ele, apontando com sua prancheta, ate a sala dele. ela se sentou na cadeir,a um frio percorreu sua espinha.
- é dificil dizer... mas como a senhora deve ter visto, kelsey não teve progressos. - ele deu uma pausa, respirou, e recomeçou - ai ser dificil, não há muitas espectativas.
- como assim? - interrompeu elizabeth.
- ela esta pesando 40 quilos, emagreceu muito. concerteza anda retomando atos bulimicos. decidimos tentar fazer com que ela continue o processo em casa, com amor e sua compreensão. coloque ela em uma escola, veja se ela consegue retomar a vida que tinha. os amigos antigos. e fique de olho, tente talvez tirar algum tempo de férias - ela apenas concordou com a cabeça.
- enquanto isso, kelsey foi ate o seu quarto, e encontrou bridget no corredor.
- hey, adivinha só? - perguntou kelsey, com um sorriso.
- oque?!
- estou de alta! - disse kelsey, dando pulinhos.
- não brinca! sério? - um sorriso enorme se abriu na cara de bridget, e os olhso dela brilhavam de felicidade. concerteza estava mais feliz do que a propria kelsey.
- sérissimo! vou fazer as malas, jajá eu volto!
ela foi ate o quarto, feliz, com um sorriso no rosto. mas logo tudo se derreteu, como sorvete. mia estava lá, fazendo suas malas.
- oi querida, já comecei aqui, espero que não se importe.
- não... que isso - ela fexou a porta e se voltou para mia.
- e então, como vai funcionar? - perguntou mia, dobrando uma de suas calças.
- eles vão me dar alguns remedios, irei voltar para escola. sabe, viver minha vida. - disse kelsey, pegando algumas roupas de seu guarda-roupa.
- uhn, sera mais facil - disse mia sorrindo. ela estava linda, como nunca esteve. como na primeira vez que elas se viram... mas diferente. agora a malicia de suas atirutes eram claras e transparentes.
- kelsey se despediu de bridget, steph e max. depois foi ate a porta do hospital aonde sua mãe estava, conversando as ultimas coisas com o médico. quando kelsey chegou,os dois se calaram.
- então, vamos? - disse sua mãe com um sorriso. elizabeth foraçara muito para dar aquele sorriso, muito mesmo.
- sim, claro. - kelsey se despediu do doutor e foi ate o carro de sua mãe, carregando sua bagagem com dificuldade. lá, ela sentou no banco da frente, e hora ou outra, observava pelo retrovisor a mia.
foi um longa e silenciosa viagem ate a sua casa. depois de tanto tempo, lá estava ela em seu lar. ela olhou pela janela de seu quarto, e viu o playground. foi lá aonde ela conheceu sua amiga nova e foi lá que escondeu drogas.
- finalmente, conforto! - disse mia, deitando na cama de kelsey, sorrindo para ela.
- é.. - disse kelsey, friamente. para que ter conforto se você vive em um inferno?
ela saiu e foi ate a cozinha, beber um pouco de agua. lá estava elizabeth, folhando um jornal.
- querida, você quer ir comigo fazer sua matricula? - perguntou ela, olhando a folha cinzenta.
- vou estudar no mesmo colégio? - perguntou kelsey, bebendo um copo de agua.
- sim, conversei com a diretora. mas sera como se voce tivesse repetido 2 anos.
- oh, tudo bem - kelsey realmente não se importava se iria cursar o 1º ano do colegial denovo. ela teria que esperar o proximo ano, faltava 4 meses para o fim do ano, e ela iria ter aulas particulares nesse tempo.
- esta com fome? - perguntou elizabeth
- não, na verdade. vou para o quarto, descansar - disse kelsey, indo para o seu quarto, com um copo de agua.
- não esqueça de seus remedios, querida. - falou elizabeth
- não esquecerei - respondeu kelsey.
- kelsey entrou no seu quarto, tirou as coisas da mala e arrumou tudo no devido lugar. tudo ia bem, ela estava distraida, ate que abriu a gaveta de calcinhas e viu uma ponta da caixa de laxantes, a olhando em um pequeno espaço. ela ficou paralisada, olhando a caixa, pensando nos momentos que aqueles comprimidos a fizeram passar, tantas noites no banheiro, sofrendo, expulsando a comida de seu corpo..
uma mão pousou em seu ombro, era mia.
- tome, você sabe que quer. - sussurrou ela, talvez kelsey, mesmo não vendo, sentiu o sorriso nos labios de mia. ela respirou fundo, fexou os olhos, e logo abriu novamente. olhou para a gaveta novamente. aqueles comprimidos eram tão convidativos como na primeira vez que ela os tomou.
a mão magra e palida de kelsey se moveu, lentamente e tremula, ate a caixa. ela a pegou com cuidado, como se a caixa estava pegando fogo. mia sorriu.
em gestos rapidos e não pensados, kelsey tomou 4 comprimidos. quando sentiu o gosto de laxantes em sua garganta, um sorriso de satisfação apareceu em seus labios, e então mia viu que ainda não havia perdido sua pequena menina.
mesmo escondida, sua futura magrelinha (ou, como preferirem, futura cadaver) queria aparecer novamente e ela estava loucamente querendo aparecer novamente.
o efeito se fez em 4 horas exatas. 2 horas antes do tempo previsto.
ela tentou disfarças, indo tomar banho. ligou o chuveiro e se posicionou no vaso sanitario. mia deu a mão para kelsey, que a agarrou com força.
depois de algum tempo, kelsey resolveu se pesar. não se pesava a bons meses, pelo menos, não falavam para ela quanto ela estava pesando.
antes, ela se olhou no espelho, viu que tinha ossos expostos pelo corpo, viu tambem as cicatrizes de seu pulso (que não sairiam tão rapido). ela ficou se vendo, emagrecendo a barriga, gostava de ver seus ossos. mesmo vendo todos aqueles ossos o medo de saber que engordou invadia o seu ser.
ela ficou olhando a balança por um bom tempo, a encarando. so depois resolveu infrenta-la.
- ela ficou de pé na balança e viu fexou os olhos. o medo não a deixava abrir os olhos.
depois de quase 3 minutos, ela abriu os olhos e olhou para baixo, e viu os numeros grandes e vermelhos brilhando na tela.
39, 500 - esse era o número.
50 gramas abaixo do que ela queria. era para ela ficar feliz, mas não conseguiu.
- você ficaria melhor com 35 kg, se voce quer saber. - disse mia.
- sabe, pensei nisso.. - disse kelsey, ainda em cima da balança.
- que bom que pensou, porque se voce ver, ira aparecer mais suas costelas. elas estao escondidas, voce ve?
- então 35 sera minha nova meta.
- esta certa disso? sabe que vai ser dificil, não é?
- sim, eu sei. mas eu andei pensando... tenho que morrer tentando, e de preferencia, quero morrer magra. - falou kelsey, passando a mão em sua barriga.
aquilo foi como sinfonia para os ouvidos de mia. concerteza, a sua querida menina reapareceu. e agora, estava mais forte que nunca. agora o sorriso estava como tatuagem no rosto de mia, por nada ele sairia, pois agora, era impossivel ele sair. o seu trabalho já estava sendo feito, já estava quase concluido.
só faltavam 5 kilos. a morte apenas precisa esperar 5 kilos.
- a morte estava anciosa, qualquer um conseguia sentir o seu cheiro. principalmente kelsey, ela sabia. ela sentia ela a espionando, a perceguindo, apenas esperando a hora em que ela caisse para poder tirar a sua vida, se alguma forma. mas a morte não a assustava tanto, apenas uma pequena parte de kelsey ainda se preocupava com este fator.
emagrecer agora estava no pódio.
mais uma vez.
mia nem ao menos se preocupava em tirar o seu maldito e mortal sorriso. talvez ela não consiga se conter, a felicidade deve estar a contagiando de cabo a rabo. da cabeça aos pés, se preferir.
35 kilos seria a meta nova. ela não via ossos o bastante, ela queria mais, mais, mais... e agora, nem ao menos se preocupava se esse mais poderia mata-la, porque, como eu disse acima, a morte não é mais um problema. estupides? acho que ela prefere que chame de coragem.
1 semana se passou e kelsey recebeu um telefonema que a fez sorrir, era max. ele estava de alta e queria vela.
ela o convidou para sua casa, mas passaram a maior parte do tempo no playground. lá, eles conversaram por um longo tempo, mas um silencio estupido invadiu a redor deles e depois de um bom tempo ele foi quebrado.
- max... - disse kelsey, com uma voz tremula. uma lagrima escorreu - eu acho que irei morrer.
max a olhou, e segurou a sua mão.
- e porque iria? - perguntou.
- eu não sei se quero largar tudo isso... eu decidi continuar. voltei com tudo, mas agora, sei que vou morrer.
- sabe, quando eu entrei naquela clinica eu pesava 45, era uma vareta se você pensar. não que eu achasse isso ruim, claro que não. mas agra estou com 62, e estou quase curado. você também pode kelsey, eu sei que pode. se voce saiu de lá, e porque teve melhoras.
- não, não tive. emagreci, e muito. acho que completei minha primeira meta lá, sem esforço. éu estabeleci uma nova meta, mas sei que depois eu irei morrer. - kelsey disse com firmeza, sem nenhuma lagrima. tinha um pouco da mia nela, de alguma forma.
max não falou nada, apenas a abraçou com força
- envolvida com o seu abraço, kelsey chorou algumas lagrimas. max a largou e a olhou, choramingando.
- saiba que eu vou estar sempre com você, sempre. você é especial, kelsey. pra mim e para todos... mas especialmente pra mim. você me ensinou a ser outra pessoa, me ajudou a me recuperar. agora, eu vou te ajudar.
- brigada max... mas por favor, não quero que você se envolva com isso... - ela se soltou e foi para sua casa, sem nem ao menos dar tchau para max.
ele ficou a olhando, sem saber oque fazer.
chegando em casa, sua mãe estava lá. ela foi ate ela e a abraçou.
- mãe, só quero que você saiba que eu te amo... me desculpa, me desculpa por tudo oque eu fiz. juro que não queria te magoar do jeito que eu fiz... pensei que não iria afetar ninguém, mas afetou a todos... eu te amo, e agradeço por tudo que voce fez.
elizabeth, confusa com aquele discurso repentino, a abraçou com força.
- eu também te amo minha filha. não se preocupe esta bem? tudo vai acabar bem. - e passou a mão pelos cabelos encaracolados de kelsey.
"tudo vai acabar bem"... esta frase voava na cabeça de kelsey, envolvida em uma capa de mentira. ela sabia que mesmo todos dizendo aquilo, aquilo tudo não iria acabar bem; nem um pouco bem.
ela foi para o seu quarto, aonde mia a esperava. ela tentou ser a mais simpatica possivel com mia, até porque, seria com ela que passaria os ultimos dias.
as duas estavam se dando bem, mia estava mais feliz que nunca. mesmo não parecendo, kelsey estava morrendo por dentro, se corropendo, mas tentava não demonstrar. sempre simpatica com mia, sem fazendo tudo oque ela pedia. mia estava notando, mas para que ligar? ela estava seguindo tudo a risca.
agora estava com 38 kg. os ossos pulavam de seu corpo, era lindo para mia. mais 3 kg, era oque kelsey precisava perder para mia ficar contente. cada vez mais, kelsey estava perto do abismo... mas não seria como mia esperava.
- 3 semanas depois, kelsey estava com 35 kg. kelsey já não estava mais viva, ela era um esqueleto com pele. parecia que a qualquer momento, os ossos iriam rasgar sua pele deixando a mostra todo o seu esqueleto. talvez nem órgãos ela tinha, pelo menos era oque parecia.
kelsey tirou sua roupa para se pesar no banheiro. como sempre, um temor passou pela sua espinha. o medo de ter engordado 1 grama a consumia desesperadamente. mia apenas ficou a olhando, sem dizer uma palavra.
era incrivel como kelsey já não parecia uma mulher. sem curva alguma, o seu corpo era como uma tabua. os seus braços, finos como um palito, tremiam de tanto medo. ela fexou os olhos e subiu na balança. ficou imovel por alguns minutos, nem ao menos respirava. ela abriu os olhos devagar e viu quanto estava pesando: 35 kg, redondo. ela não acreditou. ela pensou que ficaria feliz, que iria pular e festejar, mas não fez isso. ela olhou para o seu corpo e viu que, tudo oque ela sempre sonhou, era uma monstruosidade. ela se sentiu um monstro, de verdade. ela saiu da balança e se vestiu, depois foi ate a sala, olhar a rua pela enorme janela que lá tinha. mia a seguiu.
- quanto esta pesando querida? - perguntou.
- 35, certinho. - respondeu kelsey, com tristeza em sua voz.
- entendo o seu desgosto... você não parece ter 35... esta mais para 40! - disse mia. kelsey não respondeu, apenas trincou os seus dentes. a raiva estava consumindo o seu ser. como ela podia ser assim? depois de tudo que ela tinha feito, mia não tinha o direito de dizer que ainda precisava emagrecer mais. não era o trato? não era os 35 que ela queria? porque, agora, ela queria mais kg perdidos?
- bem, não há problema, não é? acho que vamos conseguir mais 5 kg. com 30 kg você ira ser perfeita! - disse mia, sorrindo - mas tem que ser rápido, 3 semanas é muita coi...
- NÃO! - interrompeu kelsey. seus olhos estavam vermelhos de tanta raiva. sua mão formava um punho - NÃO VOU EMAGRECER MAIS NENHUMA GRAMA, OUVIU?
- - calma querida... oque foi? - perguntou mia.
- pare de ser sinica... eu sei que disse que eu iria ate o final, mas esse é o final mia, não quero ultrapassar isso. sou apenas osso, não ve?
- sim, você é.. mas poderia ser mais ossos, não acha?
- não quero ter mais ossos, quero terminar com tudo. você disse que iria embora quando tudo terminasse!
- sim, eu disse. mas ainda não terminou, não pra mim... - disse mia, com um sorriso.
- oque?! isso termina quando eu querer terminar, e foi o acordo...
- quando VOCÊ quiser? - mia revirou os olhos e deu uma risada. kelsey a olhava com ódio - você não ve? eu que decido tudo! me diverte saber que você ainda não reparou nisso... e vou lhe dar uma outra dica: isso só ira temrinar quando você morrer. acho que agora você entende ate onde eu quero chegar, não?
- como você pode ser tão.. - disse kelsey tremula.
- terrivel? horrivel? bem, é o meu trabalho, sabe. você me uis aqui, você me chamou, você que começou isso, não eu. eu apenas a ajudei, a direcionei aos lugares certos...
- você me obrigou! - gritou kelsey.
- obriguei ou você foi tão fraca ao ponto de me tirar de sua vida? você poderia me deixar ir embora quando quisesse, mas você não queria, você queria mais, queria ter ossos, ser magra... não é verdade? tenho certeza de que não estou falando nenhuma mentira... e vamos ser francas, você sabia aonde ia dar tudo isso, não entendo o seu espanto quanto a morte. - disse mia, dando risadas ironicas.
kelsey a olhou e não disse nada. ela tremia como se fizesse um frio de 30 abaixo de zero. mia a olhou e passou a sua mão pelo rosto da menina.
- não se preocupe, tudo bem? - disse ela com o sorriso que sempre fazia.
kelsey tirou a mão dela de seu rosto com força, a afastou um pouco e subiu no parapeito da janela. ela olhou para baixo e engoliu a seco, a altura era aterrorizante. ela fexou os olhos e respirou fundo, os abriu novamente.
- então vou temrinar com tudo agora... - disse, tremula, mas com calma.
- a porta da sala se abriu e elizabeth entrou e se deparou com sua filha. ela congelou.
kelsey olhou para traz e viu sua mãe paralizada.
- me desculpe mamãe... - sussurrou.
- não... - disse elizabeth, siando de sua paralizia momentania, tremula - não faça...
kelsey virou para frente e fexou os olhos. deu um passo no ar e inclinou o seu corpo para que o vento a levasse direto para o concreto.
elizabeth correu ate a janela para ver sua única filha voando em direção a morte. mia estava ao seu lado, e riu como nunca.
- esta feito - disse mia, se virando e desaparecendo entre o vento.
elizabeth se ajoelhou no chão e chorou. tentava se beliscar e despertar deste terrivel pesadelo, mas não conseguia, era verdade.
ela deceu e foi ate sua filha. rodiada de pessoas, ela empurrava cada um que estivesse no seu caminho. finalmente chegou a sua filha... lá estava kelsey, deitada sobre o asfalto, ensanguentada.
ela se ajoelhou ao seu lado e segurou sua mão. logo depois ela a abraçou com força, pedindo a Deus que ela sobrevivesse. ela beijava sua face gelada, com ternura e lagrimas.
a ambulancia chegou e abriu espaço entre a multidao que sussurrava absurdos. eles pediram licença para elizabeth e colocaram a menina em uma maca.
- você é a responsavel pela garota? - perguntou um dos médicos.
- sim... sou a mãe dela. - respondeu elizabeth, entre lagrimas.
- então vamos... - ele pediu que ela entrasse na ambulancia.
no meio do trageto, um monitor produziu um barulho irritante, e uma linha verde que, antes era cheia de ondas, agora era reta. um dos médicos empurrou elizabeth e tentou tentou reviver a garota. foram feitas 3 tentativas.
na terceira vez, um dos médicos olhou no relógio.
- hora da morte: 12:34.
um dos médicos foi ao encontro de elizabeth, que estava palida, quase uma estatua. ele a abraçou.
- sinto muito... - disse ele.
elizabeth estava imovel, branca como defunto. lagrimas lavaram o seu rosto de marmore.
a ambulancia parou e ela saltou e sentou no chão pedindo uma resposta
- 3 dias depois
um grupo de pessoas, vestidos de preto, choravam sobre um caixão. elizabeth era como uma estatua branca feita de marmore, com um vestido preto e lagrimas caindo sobre as bochechas que antes ja foram rosadas. ao lado, um pouco atras, max abraçava bridget, que banhava o seu terno preto com lagrimas. steph estava ao lado dos dois, encarando o caixão marrom escuro sendo colocado no buraco fundo do cemitério.
depois de despedidas e lagrimas, o enterro acabou e todos começaram a ir embora deixando elizabeth a sós com kelsey.
ela se agaxou e olhou a lapide cinzenta. "ate você me deixou...", pensou.
um calafrio percorreu sua espinha e a fez levantar. ela se virou para tras e, perto de uma arvore, a mais ou menos 10 metros dali, havia uma menina vestida de preto, com longos cabelos loiros sendo jogados para o lado por conta da corrente de ar que passou por la.
elizabeth a olhou atentamente, e percebeu que a menina a observava, com um sorriso em seu rosto. uma corrente de ar, com uma certa força, fez elizabeth cambaliar para o lado. ela virou para um carro que estava a sua espera, se despediu de sua filha e foi embora.
a menina loira se aproximou da lapide e leu em voz alta o nome da menina com o seu sorriso no rosto. ela passou a mão pelo topo da lapide e seguiu o seu caminho em passos lentos e leves. aos poucos, ela foi desaparecendo, como um fantasma entre as arvores do cemiterio.
FIM
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